Quem somos nós? Entrevista com Jagunço do Samurai Seis e .20

Na nova edição do “Quem somos nós?” , que têm como objetivo esclarecer aos leitores quem são os blogueiros rpgistas de nossa querida e destemida blogosfera, vamos conceder ao leitor a oportunidade de conhecer o recente blogueiro, Jagunço dos blogs Samurais Seis e .20.

O Adrenalina RPG agradece a participação do nosso Entrevistado da semana. Deixando claro, que o Entrevistado tem todo direito de responder ou não às perguntas escolhidas.

Chega de enrolação e vamos para a entrevista!

QUEM SOMOS NÓS?

Nome: Mário Benevides (“Jagunço” no recanto rpgístico da internet)

Idade: 26 anos (mas não espalha…)

Profissão: Professor de Sociologia.

RPG Favorito: Hmmmm… A Mais Difícil das Respostas. Há alguns anos eu teria respondido Mago: A Ascensão, sem titubear. Sempre fui fã deste RPG, especialmente de sua Segunda Edição. Mas outros títulos ganharam espaço na confusão das preferências. Como sistema meu jogo predileto é Mutantes e Malfeitores, pela inacreditável facilidade e flexibilidade que demonstra. Como proposta e cenário meu RPG favorito é Arkanun (que não jogo há anos, veja só! : / )

Por que começou a blogar?

Meu primeiro impulso era colocar um caderno de coisas de meus próprios jogos, só pra ver o que outras pessoas achavam. Queria fazer algo bacana para pensar minha própria forma de jogar. Tentei começar algumas vezes, mas um blog pode ser uma coisa complicada se você leva à sério demais. Então decidi deixar de bobagem e começar a colocar algumas dessas idéias soltas, dividindo informação e vendo no que dava. Alguns posts tiveram uma boa resposta, o que me deixou feliz. Ainda estou tentando aprender a linguagem desse universo.

Como você conheçeu o rpg?

Na escola, através de amigos. Eu tinha 11 anos. Um colega de classe que nunca mais vi me apresentou o D&D da Grow e desde então me tornei consumidor. Comprei o livro do jogador AD&D da Abril tempos depois e comecei a jogar com três outros amigos. Foram mesadas bem empregadas. Comecei a consumir revistas especializadas (na época a Dragon Magazine nacional e depois a Dragão Brasil). Com o tempo comprava livros (com alguma dificuldade) e jogava ou mestrava. Não parei mais.

Qual o significado de rpg para você, hobby ou algo mais?

RPG, no meu entender, é uma forma de lazer, de diversão. Tem uma grande gama de possibilidades educativas, formativas, etc. Mas é, acima de qualquer coisa e antes de tudo, um hobby que tem a função de aliviar as tensões da semana, fazer rir ou pensar (como formas de entretenimento). Claro que, como muitas outras formas de diversão ele é capaz de estimular/desenvolver habilidades ou hábitos: nada melhor do que fazer o que gosta para aprender coisas que podem te ajudar um dia.

Pretende ensinar rpg aos seus filhos?

Pretendo. Assim que eles chegarem e tiverem idade para ouvir histórias.

Supondo que você não conheça o rpg, o que mudaria em sua vida? Aliás,você prática outro hobby ou esporte?

Correndo o risco de supervalorizar o jogo, não sei como teria sido minha pobre existência… 😀 Sempre fui um leitor compulsivo, então, de alguma forma acho que minha paixão por histórias ainda estaria comigo. Provavelmente, sem o RPG, eu teria me tornado um físico amante de PlayStation, leitor de Tolkien nas horas vagas e seria alguém mais tímido. O jogo me ajudou muito a ser mais comunicativo, porque narrar é justamente falar para algum tipo de “público”, não é? Isso sem falar no treinamento em contar lorotas… cof… digo, histórias! 😀 Meu outro hobby é o cinema. Nada de esportes! XD

Downloads de livros, conhecido popularmente como pirataria, qual seu ponto de vista sobre este importante assunto?

O Assunto Espinhoso. Sou contra a pirataria quando entendo que, no fundo, ela prejudica pessoas. Existe uma falácia comum e que é usada como argumento em sua defesa: envolver a idéia de que a informação “deve ser livre”. Mas o fato é que a pirataria começa prejudicando grandes empresas “sem rosto” e termina tirando empregos de pessoas como eu ou você. O outro lado da moeda é que não adianta negar duas coisas: primeiro o fato de que a pirataria de livros tem relação com a precarização do acesso ao livro (seu custo, especialmente); segundo que outro mercado (o de equipamentos eletrônicos e o de Internet) tem modificado a forma como as mercadorias-idéias serão tratadas daqui pra frente (CDs, livros, revistas, etc). É muito difícil combater a pirataria porque ela é alimentada por uma lógica economica legalizada: a popularização de equipamentos que a permitem. “Por que comprar um CD se posso copiá-lo de um amigo, na minha casa, gastando menos de 2 reais?” diz o jovem. Logo vamos ter que repensar tudo o que sustenta essa labirinto de coisas.

Um blog pequeno que acompanha e acredita no potencial dele?

Se eu disser Adrenalina RPG vai parecer puxação de saco! Kkkkk… Então, vou falar do Ninja Red Press. Posts bacanas, um tratamento legal dos temas e uma boa quantidade de atualizações. Mesmo que um Ninja seja uma criatura infame, eu aposto neste!

No último ano a blogosfera rpgística obteve um aumento significativo, qual sua opinião sobre este assunto?

Digo que, a despeito de alguma eventual mudança no panorama econômico do mercado de RPG – para o bem ou para o mal – uma Comunidade está sendo construída. E essa comunidade tem tudo para produzir muita coisa pelo RPG. Torço para isso aconteça sempre com base na concorrência amistosa que temos visto. É um clima muito bom pra se debater (apesar dos trolls…).

Acredita que falta algo para a atual blogosfera rpgística?

Gosto quando os blogs “conversam”. Não penso que falte diálogo, mas quero ver isso sempre na blogosfera. Sem isso a coisa não serve ao aparente propósito: trocar idéias. Vejo as Iniciativas (4E, M&M e agora 3D&T) como bons exemplos dessa conversa. Os blogs se tornam mais divertidos quando produzem coisas complementares, trabalhando em projetos comuns. Quero ver mais disso.

Você é adepto da idéia da união de blogueiros para integrar um MegaBlog (como no caso do Paragons) ou acredita que o Blog é um espaço individual reservado para pensamentos e opinões pessoais?

Acho que as duas coisas podem muito bem se casar. O Paragons foi uma excelente idéia. Ele não impede a continuidade de blogs menores, foi apenas uma maneira de convergir esforços, pelo que sei. No mais, vejo que MegaBlogs são uma forma bacana de publicar coisas: eles incorporam uma tentativa de agregar leitores em termos de uma estrutura mais organizada. Isso é bacana porque puxa uma onda de esforço por parte de todos os blogueiros e estimula produções em equipe. Nesse ponto, sou a favor de integrações sim.

Atualmente você é um dos novos integrantes do .20, um blog nacional bastante popular. Comente um pouco sobre como surgiu a oportunidade de participar deste blog.

O Nume Finório (como você sabe, um dos Anciões de lá e matador de zumbis nas horas vagas… ) já havia me convidado há alguns meses, após uma das promoções do .20 da qual participei e depois de alguns e-mails. Não pude aceitar na época por causa do trabalho. Recentemente ele repetiu o convite e eu decidi que era hora de contribuir para o espaço. Foi um convite feliz pra mim, porque acompanho o .20 desde o começo, como leitor “tímido”. Os Blogs coletivos tem uma grande vantagem, como já disse: eles criam uma equipe e isso pode gerar um espírito comum muito produtivo. Participar de algo assim é muito divertido.

Recentemente postou algumas observações sobre o sistema da 4ª Edição de D&D. Sendo mais direto: o que considera como defeitos e qualidades neste polêmico sistema ?

O Outro Assunto Espinhoso. XD

Sem grandes novidades aqui. Acho o D&D 4E sofreu um bocado porque trouxe uma dura frustração: a de que a Era d20 se estenderia ad infinitum e que a Wizards continuaria produzindo material compatível OGL para o jogo mais jogado do mundo. Essa fúria inicial também me atingiu e ainda não “perdoei” completamente os Magos da Costa. Mas, recentemente, com a tradução do Livro do Jogador, minha curiosidade foi mais forte e comecei a ler o material pra valer. Minhas primeiras impressões apontam para um sistema divertido em sua técnica e no equilíbrio. Outro ponto forte da edição é que ela simplifica o RPG, fazendo com que tudo pareça simples para pessoas vindas de outras “tribos”.

Mas sua pior falha mora aí: a forma com que o jogo é apresentado – um empobrecimento das descrições que irrita os veteranos. O irônico é que os veteranos são os menos “prejudicados” por isso: eles já conhecem mil formas de contar histórias e enriquecer personagens e históricos. Esse defeito da 4E, pra mim, sobra para os novatos: eles podem não aproveitar o lado mais enriquecedor do RPG (na minha opinião, claro): o de ignorar um pouco as regras e quadrados para viver histórias divertidas fora do tabuleiro de combate.

Ah, tem outro duplo: finalmente é fácil fazer monstros em Dungeons & Dragons! Mas, por outro lado, por que, bosta n’água, TODOS os poderes tem que ter adjetivos? Alguns são ridículos! (Algo como “A Fúria do Bezerro Atroz” ou “Chapuletada Argêntea”!) XD

O que você mudaria no atual mercado nacional de RPG ?

Gostaria de ver o mercado sendo mercado e se aproveitando das “ondas” pra trazer mais jogadores-consumidores. Cadê o Mutantes: Caminhos do Coração RPG? Ou algo o Tropa de Elite RPG? (é… ESSE seria complicado… Podia ser Cidade de Deus RPG tambémkkkkk) Ou mesmo RPGs baseados em novelas, séries e filmes estrangeiros? Falo sério. Eu não jogaria nenhum deles… kkkk… Mas sabe-se lá se isso não poderia trazer mais neófitos? É um risco? É. Mas dá pra ser empresário sem isso?

Acima de qualquer coisa o RPG precisa ser mais conhecido. Vários tipos de sistemas/cenários precisam circular, ainda que em Preto e Branco e vendido em bancas. E pra garotada mesmo. Não estou fazendo análise de mercado (não tenho a pretensão disso, que fique beeem claro!). Só quero dizer que 1) penso que nem sempre um consumidor “abstrai”. Ele olha a capa de um livro com os personagens de uma novela/série que gosta e isso pode fazê-lo comprar. 2) pra ser um produto bacana acredito que RPG precisa ANTES ser um hobby divulgado, uma prática não necessariamente vinculada a um mercado.

Agora, vamos falar um pouco sobre o Samurai Seis. Existe alguma novidade, mudança, reforma ou algo que gostaria de dizer sobre seu atual blog ?

Sim, sim! O Samurai Seis começou com uma idéia simples. Quero que continue assim, mas pretendo torná-lo mais organizado e mais direcionado (assim que eu mesmo me organizar!). Levar alguns micro-contos e fazer dali um espaço com materiais mais descritivos sempre foi um de meus primeiros objetivos. Logo ele passará por sua primeira “reencarnação”. Por enquanto estou revendo algumas coisas (ainda em segredo… ). Podem aguardar novidades. 😀

Segundo sua opinião, o que é indispensável para ser um bom jogador, mestre e grupo?

Em primeiro lugar, tratar o RPG como algo leve. Ele não deve ser o motivo da sua vida e nem deve ser motivo de uma briga séria com outra pessoa. RPG é diversão, não religião. Um bom jogador é alguém que se diverte sem atrapalhar os outros. Um bom mestre é alguém que, além de criativo, precisa sempre lembrar da história e dos personagens dos jogadores. Eles são mais importantes que Vecna, que Bane ou que o Reino de Tão Tão Distante (mas não precisam ser necessariamente imortais, claro… kkkk…).

Um bom grupo de RPG é um grupo de amigos. Não tem jeito. Se um grupo de jogo não se tornar um grupo de amigos depois de algum tempo, não vai funcionar. Pra mim RPG é uma das melhores formas de socialização. É preciso aproveitá-lo também pra isso.

Infelizmente você não pode apreciar o evento do ano, o RPGCon, mas deve ter lido algo sobre na blogosfera rpgística, gostou da iniciativa?

Aaarrg! Maldição! XD É. Moro “um pouco longe” de Sampa. Mas quero dizer que fico muito feliz com esse tipo de coisa (o evento). Não conseguiria jogar em eventos, mas penso que eles tem o poder de fazer o RPG uma coisa ainda melhor: uma desculpa para fazer amizades, rever pessoas, rir e se divertir. Sem falar que coisas como o RPGCon dão ao jogo uma cara menos mística e mais corriqueira. Fundamental isso.

(Sem falar nAS Cosplayers! Ô coisa boa de se ver…:) )

Aliás, qual é a sua experiência com eventos de Rpg, sejam eles eventos de sua cidade ou EIRPG ?

Oxe, aí esta minha maior tristeza. Nunca participei de eventos do gênero. Moro no bom e velho Ceará e não pude ir ao EIRPG por pura falta de grana para a travessia. Na verdade só soube de dois eventos aqui em Fortaleza e, por acasos diversos, não pude ir a nenhum deles. Mas ainda vou corrigir isso, ah vou.

  • Vamos para as rápidinhas!

Opa… Que negócio é esse de… ah, tá… 😀

Um ídolo?

Chuck Norris (Se eu disser “Ariano Suassuna” muito alto “Ele” me mata…)

Um filme?

Só um? Força Delt… Ah que se dane: O Labirinto do Fauno. 😀

Um game?

Não jogo videogame. Não atire! :Mas acho Metal Gear um negócio muito bem feito.

Um objetivo?

Escrever coisas bacanas, úteis ou divertidas. Seja na vida profissional ou no tempo livre.

Uma música?

Paciência (Lenine).

Um Rpg?

AD&D (pelo que me ensinou).

Algum blogueiro que gostaria de entrevistar e o que perguntaria para ele?

Caramba… Deixa eu ver… Valberto (Do Lote do Betão) . Minha pergunta seria Como você consegue ser professor e blogueiro bem-sucedido ao mesmo tempo? Estou na luta pra descobrir essa… 😀

Obrigado e Boa Sorte com o Samurai Seis!

Sou eu que agradeço o convite. Abração!

***

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2 comentários sobre “Quem somos nós? Entrevista com Jagunço do Samurai Seis e .20

  1. Pingback: Quem somos nós? Entrevista com Valberto do Blog Lote do Betão « Adrenalina Rpg – No Mercy!

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