Quem somos nós? Entrevista com Valberto do Blog Lote do Betão

Chegamos em nossa quinta edição do “Quem somos nós?”! A escolha para selecionar o entrevistado desta semana partiu da indicação do terceiro entrevistado, o Jagunço dos blogs .20 e Samurais Seis. Logo, se você é blogueiro e já foi indicado, talvez a próxima [vítima] entrevista seja a sua!

A idéia da série de entrevistas surgiu com a intenção de esclarecer aos leitores da atual blogosfera rpgística um pouco sobre quem são os atuais blogueiros rpgistas, oferecendo aos leitores um pouco do histórico, passado e objetivos daqueles que estão atualmente trabalhando e incentivando o Rpg Nacional através da internerd. Confira no final do post os links para as demais entrevistas realizadas aqui no blog.

O Adrenalina RPG agradece a participação do nosso Entrevistado da semana. Deixando claro, que o Entrevistado tem todo direito de responder ou não às perguntas selecionadas.

Valberto: – Grato.
– Obrigado pela oportunidade. Faz muito bem para o ego esse momento de pop star! Hahahaha.



QUEM SOMOS NÓS?


dungeons-dragons-the-4th-edition-interview-20070910023147267Nome: Valberto Pereira de Sousa Filho
Idade: 33 anos
Profissão: professor de Filosofia e Sociologia.
RPG Favorito: Atualmente está no topo da lista dos meus favoritos o “Mutantes e Malfeitores”, 2ª edição.

Por que começou a blogar?
A história não é muito longa, mas basicamente foi porque eu cansei de jogar bola com a bola dos outros. Na época que eu comecei com o Lote do Betão – ainda na sua encarnação do multiply – era um blog para os amigos, uma espécie de twitter grande com fotos, vídeos e músicas para baixar. O principal motivo é que eu não gostava de como o mercado de informação do RPG estava naquele momento. Haviam os grandes portais, como a rede do chatonildo e paranóico do Telles. Aquela postura de “trabalhamos juntos, mas eu levo a fama” me irritou e eu resolvi arregaçar as mangas e escrever o que eu achava que era certo. Era o fim das revistas de RPG com o fim da dragon impressa e morte lenta da Dragão Brasil.

Qual foi sua primeira experiência com o rpg?
Difícil de lembrar. Provavelmente foi com os livros-jogos do Yan Livingstone, por volta de 1988. Estudava no Geo Studio do Crato quando o irmão da Chesla trouxe um livro para ela de Portugal. Era o Feiticeiro da Montanha de Fogo. Então, eu, ela, o David e o Dudu começamos a jogar o livro, multiplicando seus inimigos por 4. Só era chato quando metade do grupo queria ir para um lado e a outra metade para outro lado. No ano seguinte eu já estava envolvido com D&D 1st edition. O meu primeiro personagem era um ladino sem nome, que usava duas adagas. Ele era um tipinho detestável e morreu nas garras de uma gárgula.

Qual o significado de rpg para você, hobby ou algo mais?
O RPG é um passatempo. E só. Claro que eu devo a ele como um caminho que me permitiu conhecer alguns dos meus grandes amigos desta vida – como o João da Monshadows ou o Igor Carcará. Mas no fundo no fundo é só um hobby mesmo. Não vejo o RPG como arte, não mais do que vejo arte em aeromodelismo ou colecionar selos.

Supondo que você não conheça o rpg, acredita que algo mudaria em sua vida?
Eu deixaria de conhecer pessoas maravilhosas e, provavelmente teria investido o din-din dos livros em jogos de videogame, quadrinhos, anime music…

Você prática outro hobby ou esporte?

Eu coleciono trilhas sonoras, provas com respostas interessantes e leio tudo que eventualmente para na minha mão. Nunca fui fã de esportes.

Downloads de livros, conhecido popularmente como pirataria, qual seu ponto de vista sobre este importante assunto?
Cara, eu escrevi um artigo enoooooooooorme sobre o assunto, que revela tudo o que eu penso a respeito disso. Vou postar o link aqui: Pirataria: causas, efeitos, moral, legislação e tuo mais que existe no meio – Versão revisada, ampliada e melhorada.
Um blog pequeno que acompanha e acredita no potencial dele?
Samurai Seis, com certeza. Adorava o Dados Cor de Rosa também mas anda desatualizado.

No último ano a blogosfera rpgística obteve um aumento significativo, qual sua opinião sobre este assunto?

Acho que tem muita gente bacana escrevendo, o que é bem legal. A diversidade e a qualidade da blogsfera tornam obsoleta e sem graça qualquer revista física. Acho que esse inchaço é normal. Mas eu gosto de pensar – veja bem, eu disse que “gosto”; não quer dizer que seja verdade – que para cada blog de RPG existe pelo menos um grupo de 4 jogadores. Na verdade, minha opinião neste caso é “quanto mais melhor”.
Acredita que falta algo para a atual blogosfera rpgística?
Educação. Menos atitude pedante do tipo “Então cala a porra da tua boca, seu viadinho cinico e mentiroso, antes que eu use uma infima parte do dinheiro que fiz trabalhando duro desde que tinha 14 anos pra ir até aí te dar uma surra”. Falta maturidade. Macaco gosta muito de olhar o rabo dos outros, mas esquece que tem um só para si mesmo. Uma coisa é se defender e defender o seu blog, mas sair assim, ameaçando na cara dura realmente passa dos limites do aceitável.

  • Agora, vamos falar um pouco sobre seu blog, O Lote do Betão.
  • Tudo bem.

Como surgiu a idéia de criar o Lote do Betão?
Eu precisava de um nome. Aqui no DF os endereços são todos estranhos. Não tem rua, nem avenida e nem nada do gênero. É tudo um tal de setor, bloco, quadra…na época que comecei com o Lote eu estava construindo uma casinha num terreno de 800m². Aqui chamamos terreno de lote. Daí o nome. Lote do Betão. Bem regionalista mesmo.

E sobre seus atuais projetos do blog, como surgiu a idéia da Iniciativa M&M?

A iniciativa não é idéia minha. É do Kabal32, lá do fórum da Jambô. Mas como ela não ia para frente (três meses parada no fórum) eu resolvi dar um quickstart para ver se pegava no tranco. Eu até escrevi algo a respeito no Lote, mas esqueci o endereço.
Acredita que a IM&M obteve bons resultados, talvez além do esperado?
O resultado foi mesmo muito bacana. Na segunda fase que já começou, estamos mais maduros e preparados para dar continuidade à iniciativa.
Em outras ocasiões, surgiram alguns comentários de leitores do Lote sobre a polêmica de determinados posts e suas opiniões, como você encara tais comentários?
No começo eu ficava chateado e procurava me espelhar na postura de gente famosa como o Shaftiel e o Fioritto, mas depois, desencanei. Vou ser bem sincero aqui. O Lote é do Betão. Não rola democracia aqui. Escrevo sobre o que eu gosto de escrever e sou sincero em minhas palavras. Mas o espaço é meu e sou eu que decide que comentário vai ao ar e qual vai direto para o arquivo recicláveis. Se eu não gostar eu apago e bloqueio mesmo, sem dó.
Existe alguma novidade, mudança, reforma ou algo que gostaria de dizer sobre o Lote do Betão?
Os posts demorarão mais a sair. Afinal o RPG é só um hobby: quem me sustenta são meus empregos de professor. Na minha última contagem tinha 1980 alunos sob minha tutela. É muita gente e dá MUITO trabalho. Se cada um fizer uma prova e eu levar pelo menos 30 segundos para corrigir cada prova vão ser 990 minutos ou quase 17 horas sem parar. Não rola.

Sobre o sistema da 4ª Edição de D&D. O que você considera como os defeitos e qualidades neste polêmico sistema?
Eu não gosto dele. Fim. Sei lá. Acho muito engessado e sem graça. Se eu pudesse colocar o personagem com o ataque ligado, autoloot e comandos como @warp tava de boa, ainda vá… os combates demoram uma vida.
O que você mudaria no atual mercado nacional de RPG?
Hm.. acho que eu inventaria o mercado, porque ele não existe. Não existe. Tirando a Jambô, meia dúzia de lançamentos da devir, e a blogsfera o sistema de mercado nacional é quase zero.

Segundo sua opinião, o que é indispensável para ser um bom jogador, mestre e grupo?
Vontade de se divertir e de se divertir com os outros. O resto é só jactância.

Qual é a sua experiência com eventos de Rpg, sejam eventos de sua cidade ou EIRPG?
Cara, sou um rato de eventos e procuro ir a todos. Fui ao EIRPG desde sua 5ª edição. Sempre prestigio eventos aqui da região. Mas é aquele lance: custa muito caro acompanhar esse tipo de coisa.

  • Vamos para as rápidinhas!

Um ídolo?
Churchill.

Um filme?
Seriado serve? Patrulha Estelar.

Um game?
Jogos estilo GTA, como o Saints Row2 do Xbox.
Um objetivo?
Tornar-me o melhor professor de filosofia do Brasil.
Uma música?
Advanced Wind, cantada em inglês, a abertura de Wild Arms 3.

Um Rpg?
Aventuras Fantásticas. Simples, direto, 3 atributos, dois d6 e muita aventura.

Algum blogueiro que gostaria de entrevistar e o que perguntaria para ele?
O Jaime Leandro, da Terra do Nunca.
Como foi que ele fisgou a Maria do Carmo Zanini, que além de ser uma gata, é inteligente e ainda joga RPG?

Obrigado e Boa Sorte com o Lote!

Obrigado pela oportunidade. Espero não ter falado muitas abobrinhas.

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9 comentários sobre “Quem somos nós? Entrevista com Valberto do Blog Lote do Betão

  1. Valberto é um dos grandes nomes na blogsfera. Além de ser inteligente e escrever bem, ele não tem medo de falar o que pensa e não precisa se passar por politicamente correto.

    Gosto muito dele. Bacana demais…

  2. Betão, um dos blogueiros mais antigos (ou seria um dos mais antigo blogueiros) de RPG da internet (e de onde seria mais?).

    Parabéns pela grande entrevista.

  3. Pingback: Twitter Trackbacks for Quem somos nós? Entrevista com Valberto do Blog Lote do Betão « Adrenalina Rpg – No Mercy! [adrenalinarpg.wordpress.com] on Topsy.com

  4. Muito bom de ler. O comentário sobre o Samurai ainda serviu para que eu crie vergonha e poste logo algo… 🙂
    O Betão é aquela figura “bom dia por quê?” que, por algum motivo, ganhou minha atenção de leitor e meu respeito geral.

    Vida longa ao Lote. 🙂

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