O seu Vilão já foi Odiado?

O Vilão embora seja o principal antagonista de um enredo nem sempre recebe o devido valor, é memorável ou especial. Em determinado momento de sua campanha, já passou por sua cabeça alguma vez: – Por que ninguém recorda do meu Vilão? ou mesmo – Por que ninguém odeia o meu Vilão?.

Mesmo quando o seu NPC têm a devida importância no decorrer de toda a trama ninguém sequer ao menos recorda da existência dele, e muito embora os personagens dos jogadores estejam em uma aventura por inúmeras circunstâncias, o vilão não é ou foi uma delas.

Não se preocupe, este problema é comum. Na verdade, diversos mestres persistem em jogar ou lançar seus antagonistas contra os personagens, e normalmente quando este não é morto, simplesmente não têm a mínima importância no decorrer da história. No entanto, algo está errado, não deveria ser assim, então como tornar o vilão(zinho) um verdadeiro vilão, um obstáculo respeitado e detestado, na visão e concepção dos personagens dos jogadores?  

Nestes muitos anos de experiência como mestre e jogador o segredo é até mais simples do que parece. E minha resposta é: o vilão precisa incomodar;  – está palavra já basta para definir um bom e aceitável Vilão.

Por exemplo, enviar um tropa de soldados (buchas) para somente levar aquela surra é muito diferente da mesma tropa aparecer quando os personagens estão com problemas. Não considere isso como apelação, tal metódo utilizado constantemente não vai gerar bons resultados, é óbvio que os  jogadores são capazes de compreender a diferença de coerência e apelação na trama, embora estejam cientes que parte da diversão está no mestre propor conflitos e situações desafiadoras durante as sessões. Consequentemente, está é a principal função de um vilão, demonstrar aos jogadores como seria melhor suas vidas caso ele não existisse, caso não estivesse ali para arruinar e destruir com seus planos interfirindo em suas vidas e especialmente em seus sonhos.

Não é necessário que está abordagem seja direta, se este for o seu desejo, também pode ser indireta. O Vilão pode desconhecer completamente a existência dos personagens, apesar de que isso só funcionará até certo momento, sendo provável que os personagens indignados vão querer receber satisfações ou até  promover situações para que o vilão os (re)conheça.

Como exemplos e fontes de inspirações, nós podemos lembrar de JIGSAW do filme Jogos Mortais, ou Lex-Luthor, este último um simples humano que adora atrapalhar com a vida do Superman, utilizando apenas de sua inteligência e bom raciocínio. O clássico Darth Vader, o alter-ego de Anakin Skywalker é a personificação etérea do mal, sendo poucas às vezes que combate os heróis de Star Wars diretamente, ainda que seja muito mais poderoso, e atualmente simboliza perfeitamente um Vilão e sua típica ambição por poder.

Atrapalhe, traga problemas e conflitos, torne tudo mais difícil, mostre para os jogadores que aquele não é um personagem do mestre normal, ele de fato é O Vilão da história, mas seja ponderado, retorno a dizer evite a apelação, seja coerente e mantenha o foco. Contudo, lembre-se da possibilidade do mestre manipular parte da trama (e somente, nada de apelação!), de forma que os jogadores não percebam, construindo momentos em que os personagens acabem, por sua vez, sendo alvos dos anseios (leia também como ambições desmioladas) do Vilão e tornem-se um obstáculo indesejado para ele.

Um outro ponto que julgo muito importante é definir o passado de seu Vilão, o background, assim como ocorre com os personagens dos jogadores. Pensando na maneira que está pessoa chegou a tal ponto, como desenvolveu suas conquistas e principalmente como adquiriu o status de Vilão, através disso, você tem uma melhor concepção do futuro arquinimigo dos personagens, sendo perfeitamente possível elaborar um outro fator importante, os aliados e inimigos do vilão, algo que conseguiu conforme o tempo de vida, nas conquistas e derrotas do passado.

Aliás, o passado de um vilão também deveria ser importante durante uma aventura,  sendo motivo para futuros ganchos, e é provável que seja algo que atrairá a atenção dos personagens dos jogadores, e se isso ocorrer é possível que os heróis compreendam os reais motivos do vilão, despertando até uma certa familiaridade, seja no jogador ou seja em seu personagem.

No entanto, vale mencionar que nem sempre o arquinimigo dos personagens precisa ser Mal, um objetivo que seja contrário ao dos heróis já é suficiente para torná-lo um rival e suficiente para gerar conflitos de ética, conduta e moral para a sua mesa. Em um outro exemplo bastante comum está em o Personagem bondoso percebe que o seu rival deseja algo apenas diferente, em oposição a sua conduta, mas que talvez se estivesse em seu lugar faria o mesmo. A reação e decisão do personagem é imprevisível, mas certamente provocará um conflito interno.

O verdadeiro Vilão afeta física e emocionalmente seus inimigos e o fato de sua existência pode ser uma perturbação ou uma tortura mental para os Personagens; – Vide: Batman em O Cavaleiro das Trevas contra Coringa de Heath Ledger…      

Why so Serious?

 

Anúncios

16 comentários sobre “O seu Vilão já foi Odiado?

  1. Pingback: Tweets that mention O seu Vilão já foi Odiado? -- Topsy.com

  2. Cara, sou bom nesse negócio de fazer os outros odiarem….

    Gostei do artigo, lembro de um antagonista que tivemos em nossa mesa, embora nos atrapalhasse não chegava a ser um vilão. Estava mais para um malandro querendo se dar bem em cima dos personagens.

    Para completar ele nunca fazia algo muito grande, embora sempre estivesse nos atrapalhando, e tinha contatos com a guarda e a justiça da cidade. Chegamos a ser presos uma vez por sua causa.

  3. Só para atazanar Angellus, você falou sobre o passado de um vilão e realmente é algo bem importante, mas ilustrou seu tópico com talvez a melhor utilização de um vilão sem passado.

    O maior “poder” do Coringa-Dark-Knight é não possuir um passado, dessa forma você não há um suporte para especular o seu próximo passo.

    • Você tem razão, Puppet, embora até certo ponto.

      Veja bem, em campanha nem sempre será necessário que os personagens dos jogadores descubram ou conheçam o passado de um vilão, isto só é importante para definir uma estratégia, plano de defesa ou conhecer as vantagens e desvantagens de seu arquinimigo.

      No entanto, para o mestre isso é muito importante, independente se o passado do vilão será algum dia revelado in-game aos Pj’s, afinal é uma maneira do mestre conduzir os objetivos do vilão, definir as conquistas (territórios, recursos, poder, e etc) , aliados e outros inimigos além dos Pj’s.

      Acredito que o Coringa seja um personagem sem passado para obter um enorme vantagem contra seu arquinimigo, o Batman, um personagem com um grande potencial investigativo, ou seja um vilão que dentre suas características está em anular uma grande vantagem do herói. Aliás, isto é um bom metódo para aplicar em mesa.

      Obrigado pelos comentários.

  4. Eu trago um ponto de vista diferente na minha campanha de Old Dragon. No um ano e meio de campanha, os jogadores já se depararam com diversos vilões, mas muitas vezes, o vilão era muito gente boa com os personagens.

    Cito o Professor Ford, por exemplo. Ele é um viajante do tempo, vinha da Inglaterra dos anos 30, que caiu de teco-teco em uma ilha com dinossauros. Ele tinha uma winchester, arma que os personagens precisavam para matar um Tiranossauro Rex. O Prof. Ford escravizou uma tribo inteira, obrigando a prestar todo tipo de serviço (inclusive sexual) para ele. Só que ele nunca se mostrou como um vilão, pelo contrário, sempre foi muito amigo e prestativo. Só se negou a dar a winchester para os personagens porque ele a utilizava como ferramenta de controle sobre os moradores da tribo.

    Tanto é que o T-Rex foi destruído sem a winchester, e o Prof. Ford foi mantido como tirano e senhor de escravos. Mas ele era um vilão.

    Isso é uma coisa que eu acho muito válida, porque ser vilão ou ser mocinho, na minha campanha (e no Old Dragon como um todo) é um mero ponto de vista, é uma simples situação de conflito de interesses.

  5. Minha opnião vai desagradar muito jogador de vampiro, mas é voutada a D&D nao Vampiro nem Gurps:
    Vilão corresponde a Heroi, Herois Caricatos gerão vilões caricatos, Herois sombrios e Ambiguos, acabam gerando antagonistas, sinto informar mas um antagonista não “é um vilão”, se vamos falar de vilão, o cara que o univerço quer vencer pra trazer divouta paz, não podemos por o mesmo em pé de igualdade com um antagonista.(no caso o T Rex teve mais cara de vilão que o professor ,por que o grupo foi conivente com as atitudes dele. Se o grupo não fosse, ele seria apenas um antagonista por que não era Ameaça o suficiente para rivalizar com a ameaça que era o T-rex.) se é pra ser Vilão então o grupo deve ser “Heroi”, Antagonistas so ficam na memoria de modo vago, os vilões ficam como sendo o objetivo, impulcionam um role play Heroico. Enquanto um antagonista chega as vezes a criar um coisa que me incomoda tanto nos quadrinhos quanto no RPG “Conflitos existenciais desnecessários” o Heroi vai deixar de fazer atos heroicos com pena do passado do antagonista? vai por em duvida sua fé em seu deus com base no ponto de vista do clerigo renegado? os jogadores vão querer jogar uam aventura de D&D Com cara de Vampiro a mascara? ou vão lembrar deste Antagonista como “o Cara que eu enfrentei pra provar que eu estava certo” e não como “O Vilão que eu derrotei para fazer do mundo um lugar melhor”? Tudo isso deve ser levado em consideração quando se trata de criar um “Vilão”, um Vilão pode parecer meio seco se comparado com um “antagonista” mas para Jogos de fantasia medieval, Todo Ork é Vilão ate o mestre decidir dar pra ele um historico triste seguido de um objetivo deturpado.(antagonista)
    Vampiro é um cenário bem rico, e não possue vilões, por isto seus antagonistas sõ memoraveis, Mas D&D possue Vilões, pessoas que querem fazer o mau apenas por que querem fazer!(Vai perguntar ao vecna por que ele quer corromper a todos e torturar? vai converçar com o Orcus pra saber por que ele se tornou um demonio?) Exclarecido isto, concordo com o altor e muto, em contra partida tambem concordo com o Fabiano, Antagonistas deixam uma história mais interpretativa,mas se é “Medieval fantasia” mesmo cheio de antagonistas,tem de ter um Vilão!(Exemplo T-Rex)

  6. Salve, Joes.
    Normalmente meus vilões dão trabalho e, se sobrevivem a uma batalha mortal, atormentam a vida dos personagens, inclusive fazendo com que dependam da cooperação do inimigo para salvar o dia. Os jogadores ficam loucos.
    Até.

  7. Muito bem escrito. Sempre tive vilões memoráveis, que meus jogadores lembram até hoje. E concordo com Erivas sobre a divisão vilão/antagonista. O vilão não gera (ou não deve gerar) simpatias. Seus atos podem ser até justificados pela sua história, e ele deve ter um motivo para seus atos (nunca simplesmente “por que eu sou mal”) mas isso não deve redimi-lo. Verdadeiros viões são irredimíveis.
    Mas mesmo um mundo como D&D não deve ter apenas Preto e Branco. O mundo precisa de tons de cinza, por isso os antagonistas. Sempre cultivei os dois tipos nas minhas campanhas, e por vezes os antagonistas foram redimidos, por vezes os PCs tornaram-se antagonistas, mas sempre houve aqueles simplesmente irredimíveis, e esses eu tenho certeza que foram os mais memoráveis.

  8. Em minhas campanhas já tive bons e péssimos casos.
    O pior vilão que tive e que na minha opinião era o mais interessante de todos (uma mistura de Coringa com Monster, se você não sabe o que é Monster procure por este animê ) .
    Porém ele se tornou tão odiado, tão asqueroso, doente e causava tanta revolta. Que os jogadores não tiveram paciência em ir até o final da campanha e preferiram uma campanha mais leve. Este outro lado da moeda deve ser levada em conta, existem boas histórias que acabam não se encaixando no RPG. Por melhor que história e o vilão fosse, o RPG precisa de diversão e nem todas as histórias divertem em volta de uma mesa.
    Abraços!

  9. Olá!
    Mandou bem chapa, mesmo eu tendo demorado a ver o artigo. Eu só acho que essa história de definir o passado do Vilão não precisa valer sempre (veja o caso do Curinga no Batman, o Cavaleiro das Trevas, cujo passado é totalmente desconhecido… e o filme ainda brinca com isso).

    Até and Bye…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s