Mestre, aprenda com vossos erros

Eu erro. Tú erras. Ele erra. Nós erramos. Vós errais… pois é.

Não existe mestre que já não tenha cometido um pequeno deslize em jogo, contudo cabe somente a ele assimilar essa experiência evitando torná-la frequente em seus jogos. Eis aqui, um exemplo prático, pretendendo alertá-los para que evitem cometer o mesmo, ok? Vamos ao prefácio, o início de tudo, para que compreendam onde quero chegar:

O sistema jogado na época foi o D&D 3.5, entretanto isto não é uma limitação em relação ao que o texto e exemplos citados demonstraram a seguir. Bom, o grupo de aventureiros estava reunido para uma breve jornada de cerca de três semanas, acompanhando uma Caravana de Mercadores que rumava em direção ao extremo norte da região, por sua vez, alguns dos personagens dos jogadores seriam pagos, recebendo uma pequena quantia em moedas de ouro ao final da jornada, enquanto outros aventureiros somente acompanhavam o longo trajeto da viagem, já que parte de seus objetivos estariam localizados ao final de tudo, exatamente onde a dita Caravana realizaria seus negócios; – Posso dizer que este método (clichê e pra lá de batido!) foi intencional, afinal de contas foi o início de uma campanha e nada melhor do conseguir manter todos os personagens dos jogadores juntos e colaborando igualmente entre-si.

No entanto, este é o exato ponto, onde os problemas começaram a surgir. A jornada de três semanas foi realizada em apenas 3 sessões, ou seja, apenas uma sessão para cada semana de viagem. Ok, você pode considerar suficiente tratando-se apenas de uma jornada, entretanto perdi boas oportunidades, e quer saber porque?

O agrupamento da Caravana era formado por 10 carroças e carruagens com aproximadamente 40 pessoas no total, o que diabos eu fiz?!

Utilizei dois Npc’s! Sim, somente duas pessoas, respectivamente o dono (chefe/proprietário) da Caravana e seu inocente e atrapalhado filho. Claro que ocorreram pequenas conversas com os demais Mercadores e Trabalhadores durante a viagem, porém apenas quando necessário, tal como após o ataque de mercenários procurando roubar as mercadorias valiosas, antes das refeições diárias ou quando trocavam os turnos de escolta, enfim nada importante, somente breves palavras passageiras. Embora não esteja dizendo que, como mestre, deveria interpretar os 40 NPC’s  que integravam a Caravana, muito pelo contrário, mas que além da descrição do cenário os Npc’s são importantes para tornar sua aventura mais realista, mais verossímil e, acredite, mais fácil para você, mestre.

Através de NPC’s bem estruturados você pode desenvolver bons ganchos, atrair a atenção dos jogadores e manter o ritmo de uma aventura, fazendo até com o que o clichê torne-se algo inesperado. Quando isto não ocorre, geralmente, estaremos diante de personagens dos jogadores correndo em busca de seus objetivos (o que, por sinal, não é ruim, porém RPG não trata-se apenas disso) e níveis, só (O que é ruim, porque RPG NÃO é isto!). O aventureiro que conhece alguém que têm uma vida, objetivos, sonhos e que também possui problemas, sejam cotidianos ou não, é conquistado ao jogo e lançado definitivamente ao cenário.

Um Npc que partilhe dos eventuais problemas daquele personagem da mesa poderia ser um grande aliado ou, na pior das hipóteses, um outro problema, talvez por desejar o mesmo objetivo. Contudo, tais oportunidades em jogo um Mestre não pode simplesmente ignorar, deixar escapar situações das quais ofereçam inúmeras opções e/ou quando empregadas com a devida atenção tornam aquela típica aventura (como no caso descrito acima) uma aventura para ‘botar inveja em Tolkien!’

Antes tarde do que nunca, compreendi meu deslize quando os personagens dos jogadores não precisavam mais estar protegendo a dita Caravana, já haviam cumprindo o acordo e já estavam próximos de seus objetivos. E devido as minhas opções, ou melhor falta delas, dispostas durante a jornada, novamente precisava encaminhar os aventureiros e definir como mantê-los unidos como estavam até o devido momento, já que havia perdido tal chance com os meus inúmeros Npc’s invisíveis.

 

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2 comentários sobre “Mestre, aprenda com vossos erros

  1. Não só com os nossos, mas com o erro dos outros também. Sempre que eu jogo de player, tento observar o máximo o possível o outro mestre, incorporando o que é bom e aprendendo (!) mais ainda o que é ruim nele, justamente para saber o que evitar na minha mesa rs.

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