Entrevista Paragônica com John Bogéa, autor do Terra Devastada!

John Bogéa, autor do Terra Devastada e Abismo Infinito, ambos da editora RetroPunk G.D. nos concedeu uma entrevista paragônica! Em nosso papo, conheça um pouco sobre a história do escritor, suas influências e inspirações, a produção do Terra Devastada, futuros lançamentos, a negociação com a RetroPunk, e a opinião de quem está por dentro do mercado nacional!

ENTREVISTA PARAGÔNICA – JOHN BOGÉA


Nome: John Bogéa

Idade: Trintão.

Profissão: Publicitário, Designer Gráfico e Ilustrador.

 

Conte-nos um pouco sobre sua primeira experiência com o RPG? Comecei jogando D&D 1ª edição, como quase todo mundo do final dos anos 80 pro início dos anos 90. Minha primeira atuação foi como Dungeon Master, nem sabia direito se estava fazendo certo, na época não tínhamos o networking que temos hoje, os grupos eram ilhas, quase não sabiam da existência uns dos outros, mesmo que fossem do mesmo bairro.

O RPG obteve algum outro significado em sua vida além de um jogo?

O RPG mudou completamente o conceito que eu tinha sobre jogos, na época deixei de tudo de lado, boardgames, video-games, quadrinhos… O RPG me parecia bem mais empolgante que todas essas coisas, e me deixava bem mais satisfeito.

Quais são as suas experiências com eventos de RPG, sejam eventos de sua cidade ou EIRPG? Todos os eventos que participei foram locais, atualmente faço parte da organização do Circuito de Encontros do RPG Pará, que tem atraído cada vez mais gente pro hobby. Acho os encontros importantíssimos para unir os RPGístas, é um momento de socialização, conhecer gente nova, falar sobre suas preferências, trocar ideias, enfim, essas coisas são até mais importantes do que jogar em um evento.

Você prática outro hobby ou esporte? Gosto de leitura, cinema e arranho guitarra. Fora isso, sou o cara mais sedentário que conheço.

O que é indispensável para ser um bom jogador, mestre e grupo?

3 coisas:

1)    Ter em mãos um material que estimule a experiência de jogo que quer experimentar;

2)    Compreender a proposta do jogo e ter certeza que todos no grupo compreenderam;

3)    Disposição para experimentar coisas novas, sem preconceito. Uma pessoa nunca vai saber que sabor tem um sorvete de chocolate antes de provar um sorvete de chocolate. Tem coisas que só dá pra saber se é bom se provar.

 

Vamos para as rapidinhas!

Um ídolo? H. P. Lovecraft

Um filme? Um filme indie perturbador chamado “Pi”

Um game? Hum, difícil, jogo pouco vídeo game, mas gosto das coisas que a Blizzard e a Bethesda fazem.

Um objetivo? Ler todos os livros que ponho na estante, adquiro livros mais rápido do que consigo ler.

Uma música? Atualmente, qualquer coisa do Metallica ou Cavalera Conspiracy.

Um RPG? Não tenho um favorito, mas atualmente estou jogando muito Fiasco, se tornou meu RPG de boteco.


  • Terra Devastada

Como surgiu a ideia do Terra Devastada? Quais foram suas principais inspirações e fontes para criação do material?

Sou fã dos filmes do Romero, gosto da ideia do horror do apocalipse zumbi (assim como quase todo nerd que conheço), não era uma ideia muito original, mas comecei o projeto mesmo assim. Chamei o Fabrício Caxias pra me ajudar, e pouco mais de 1 ano depois eu estava com o jogo pronto.


Fale nos um pouco sobre a produção do Terra Devastada, desde a sua concepção inicial, as complicações e soluções finais.

Os meses iniciais foram de pesquisa, precisava me tornar mais do um fã, tinha que ser expert no assunto. Li alguns livros, sobretudo Max Brooks, e assisti (estudei) mais de 200 filmes sobre o tema. Até que o cenário nasceu.

O sistema foi mais trabalhoso, queria que fosse algo narrativista para chegar o mais próximo possível dos tipos de personagens que protagonizavam os filmes. O que foi algo bem difícil, pois não existe um padrão de protagonistas em histórias de zumbis, eles não são equilibrados como personagens de video-games e nem representam funções específicas como personagens de D&D, cada um é único, independente de ser fraco ou forte, rico ou pobre.  Então decidi começar a trabalhar nas formas de tornar os protagonistas realmente únicos, que permitissem criar qualquer tipo de peculiaridade sem tornar o sistema pesado demais, em que só haveria estereótipos, se o jogador quisesse.

Mas o importante mesmo pra que o jogo fosse em frente foi a aceitação imediata do público, realmente não esperava que o jogo fosse tão bem recebido pelos jogadores. Afinal era um jogo indie com mecânica estranha sobre um tema batido… Foi realmente surpreendente e motivador ver o interesse do público. Agradeço muito a todos que acompanharam o desenvolvimento, entraram no grupo de colaboração e playtest. Essas pessoas são os principais responsáveis pelo sucesso do Terra Devastada.


Quanto aos acessórios, haverão novos produtos exclusivos para acompanharem o Terra Devastada? Alguma surpresa?

A Retropunk já está com o Escudo do Mestre e um suplemento com 3 aventuras chamado “Histórias de Sobrevivência”. Um amigo (Rodrigo Ragabash) está escrevendo um cenário de campanha ambientado em Belém, dando início a uma série de livros usando cidades brasileiras como ambiente do jogo.


Existe alguma novidade ou algo que gostaria de dizer sobre o Terra Devastada?

Esbocei um suplemento que estou chamando provisoriamente de “Era dos Mortos”, a terra uns 100 anos depois do Dia Z, um cenário com gosto de filmes como Mad Max e A Estrada. Mas isso é um projeto que estou pondo no fim da fila.


  • RetroPunk Game Design


Terra Devastada está sendo lançado pela RetroPunk G.D., como tudo começou? Das propostas, fase de negociações, ao lançamento da pré-venda, – aliás, já sendo marcada por um sucesso.

Soube que a Retropunk tinha interesse no projeto, e, como já conhecia a política da Retropunk em relação ao RPG, me interessei também. Demorei uns 6 meses até mandar uma versão para análise (ainda bem que não perderam o interesse mesmo tendo demorado tanto), gosto de “lamber a cria” (ficar aprimorando, aprimorando, aprimorando…), queria estar totalmente seguro sobre o que estava criando.

Recebi a aprovação da editora e proposta de publicação, dai foi só acertar algumas coisinhas finais sobre o sistema e lançar o livro. Apesar da tiragem ter sido pequena, fiquei feliz quando soube que o livro já estava esgotado na semana do lançamento.


  • Abismo Infinito
  • Abismo Infinito é outro de seus projetos que estará sendo lançado pela editora RetroPunk, fale nos um pouco sobre ele, o seu desenvolvimento e como surgiu a oportunidade de torná-lo outro lançamento indie nacional?

O Abismo Infinito foi feito para participar do concurso “Faça você mesmo” da Secular Games, e conseguiu ficar em primeiro lugar. Inicialmente ia ser lançado pela Secular, mas acabei fechando com a Retropunk pouco tempo depois do final do concurso.

Fiz o jogo inspirado por um poema chamado Nêmeses de H.P. Lovecraft (o jogo não é sobre os Mythos de Cthulhu, ele apenas está embebido da atmosfera de horror lovecraftiano).

Apesar do cenário ser sobre exploração espacial, não queria um jogo sobre batalhas de naves de guerra, alienígenas mercenários ou tiroteios de armas lasers, queria mesmo era um jogo de terror psicológico em que os protagonistas enfrentariam os próprios medos.

Ainda estou desenvolvendo o jogo, colocando Einstein+Freud+Lovecraft em um liquidificador, vamos ver que bicho vai dar. Provavelmente até março de 2012, vai estar totalmente pronto.


  • Mercado

Neste último ano o Mercado Nacional RPGístico obteve um aumento significativo, através de pequenas editoras, lojas e produtos online, qual sua opinião sobre este assunto?

Acho ótimo, até porque sem esse novo modelo de mercado eu jamais conseguiria publicar algum livro sem seguir a cartilha dos jogos mais famosos ou usar um sistema popular (coisas que eu realmente não queria fazer). Além disso, hoje em dia  tenho muito mais acesso a material estrangeiro, não dependo mais da livraria da esquina pra comprar meus livros preferidos. Não troco o mercado atual por nenhum outro do passado.

Recentemente, com a inclusão de produtos e materiais online à venda, qual o seu ponto de vista sobre a Pirataria, seja em um aspecto geral ou relacionada com o RPG?

Se o autor determinar que o seu livro não deve ser copiado e distribuído, então temos que respeitar os limites de uso do material. E cá pra nós, livros em PDF nem são tão caros assim, né? Além disso, quase todos os jogos possuem “quick starts” gratuitos para que os possíveis clientes experimentem o jogo antes de comprar.

Embora estejamos, ao que tudo indica, em um bom momento, com uma variedade de mudanças e lançamentos nacionais, você mudaria algo no atual mercado nacional de RPG?

Acho que não mudaria nada não, estamos no caminho certo, crescendo aos poucos, oferecendo na intensidade que o mercado pode consumir, sem exageros, sem delírios. E o mais importante é que estão aparecendo no Brasil títulos populares lá fora e totalmente desconhecidos aqui.

Anúncios

7 comentários sobre “Entrevista Paragônica com John Bogéa, autor do Terra Devastada!

  1. Grande Bogéa tive a oportunidade de narrar o Terra Devastada e realmente gostei muito do jogo, admiro o seu trabalho e sem rasgação de seda tenho o TD em alta conta entre meus jogos favoritos. Meus parabéns.

  2. Impossível assistir Sunshine e não pensar em Abismo Infinito, tive a mesma idéia que o Mike Wevanne.

    Parabéns ao John Bogea pela criatividade e pelo foco em um trabalho de alta qualidade no mercado nacional.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s