Você Não Vai Mais Jogar de Guerreiro!

Guerreiros, a classe mais amada e jogada de D&D e tantos outros RPG’s, normalmente dispostos em jogos de fantasia medieval e ocasionalmente a primeira opção de muitos jogadores iniciantes.

Simples, de fácil interpretação, desempenhando o papel do típico herói aventureiro que marca presença em diversas mídias, desde a literatura aos quadrinhos, cinema e afins, inspirando e fascinando, às vezes com ousadia, coragem, ímpeto, determinação e tantas outras qualidades comumente manifestadas através de grandes feitos, destacando ainda mais estes personagens. Por estes e outros motivos, estou inclinado a acreditar que todo RPGista já tenha jogado, ao menos uma vez, com tais personagens ou classe, seja em qual for o RPG.

No entanto, também me arrisco a dizer que não são poucos os jogadores que jogam somente com guerreiros, ao exemplo de inúmeros personagens clássicos em diversas obras, contundentes fontes de inspiração para RPGistas, buscando protagonizar os atos de heroísmo demonstrados por seus ídolos em suas histórias preferidas. Por vezes, testemunhei mesas de RPG que estavam carregadas deles, assim como conheço jogadores que não abdicam destes personagens, deixando de experimentar outras características importantes do jogo, e não me atenho apenas quanto as regras, refiro-me também ao entretenimento, a interação com o grupo e participação na aventura ou história, de maneira geral.

Assim como mestres são capazes de conservar velhos hábitos, seguindo uma postura limitada em suas narrações, estes jogadores mantém vícios que os impossibilitam de obter novas experiências em jogo. É óbvio que para cada novo guerreiro que um jogador faz haverá um background único e uma interpretação diferente, porém nem sempre isto é o ideal para determinado grupo de personagens, aventura ou cenário. Tratando-se de uma mesa de RPG é algo mais profundo, diria até mais complexo, diversos personagens com habilidades e características similares dificilmente irão destacar-se individualmente.

E quando estamos falando de classes, invariavelmente e, no entanto, em específico uma delas, o guerreiro, entende-se que a mecânica adotada favorece determinadas habilidades, desfavorecendo outras e restringindo uma parcela. Eficiência, talvez seja este o desígnio correto, o entrave, ou seja mesmo que as regras permitam obter habilidades de outras classes,  isto não significa que o personagem será tão eficiente quanto gostaria e, por outro lado, de forma clara e objetiva, o guerreiro não conjura magias contra seus inimigos ou a favor de seus aliados, tampouco é capaz de desarmar armadilhas.

Aliás, existem mesas de jogadores que tendem a padronizar o grupo de personagens, em prol de um jogo mais equilibrado e da diversidade que atenderá a todos os gostos, o que aplica-se diretamente as funções desempenhadas pelas classes escolhidas, proporcionando maiores alternativas para sobrepujar os desafios e obstáculos que serão selecionados e lançados na aventura pelo mestre.

Entre tantos motivos, talvez o maior dentre eles seja a interpretação inflexível, que mesmo diante de personagens teoricamente diferentes, ainda que na mesma classe, o guerreiro, pouco é demonstrado. Tanto quanto suas escolhas, mas soluções e formas de agir em jogo, são idênticas, tornando a interpretação cada vez mais similar e rasa de um personagem para outro. Ainda que tal dificuldade possa ser desempenhada por classes diferentes, sendo algo mais relacionado ao jogador, seja por comodismo, timidez ou escassez na interação e compreensão do jogo, geralmente o problema se agrava, tornando-se cada vez mais recorrente, a medida que novos caminhos não são procurados.

O risco, a sensação de aventura, pode começar muito antes do início do jogo. Aventure-se!

Anúncios

17 comentários sobre “Você Não Vai Mais Jogar de Guerreiro!

  1. Hahaha ótimo post. Entendi seu ponto de vista, concordo plenamente com que disse mas…..

    Após lê-lo eu pensei: caraca num seria legal mestrar uma aventura só de guerreiros para os jogadores sentirem FALTA das outras classes? Seria uma aventura bem 4 FUN mesmo meio HACK `N SLASH tipo filme chinês (1 matando 2 mil no campo de batalha) =D

    Uma vez lí inteiro um Manhwa (mangá Coreano) chamado: Vagrant Soldier Ares, contando a história de um garoto espadachim (procurando vingar seu mestre) que se junta a um grupo de mercenários para vencer uma guerra. Tinha SOMENTE guerreiros, nada místico/mágico/fé, mal tinham ladrões na história, mas os guerreiros eram únicos em seus estilos de luta. Quem puder ler é GENIAL.

    O problema é o jogador criar SEMPRE o mesmo esteriótipo de guerreiro. Que tal: ao invés de sua espada você lutar SOMENTE com lanças? Ou ser um arqueiro pleno? (não ranger, mas arqueiro mesmo de guerra) =)

    Obviamente estamos falando de uma aventura meio “WAR” onde o foco da história é um grupo de guerreiros lutando por um ideal (SPARTAAAAAAAAA). Onde o mestre focará mais em táticas de batalha, formação de emboscadas e guerras e não em desarmar armadilhas, mistérios misticos ou investigação/diplomacia.

    OK meio, Smells like NOOB RPG Spirit, mas acredito que seria uma ótima diversão também hahaha =D

    Parte Mestre Sadô (que tanto gostamos) MODE ON:
    SIMMMMMM uma hora você tem que fazer eles penarem por serem somente guerreiros e não terem NENHUMA outra classe com eles. Daí sim chegamos ao seu ponto de vista, eles vão chorar por não terem outras classes no grupo e no próximo jogo alguém com certeza mudará de guerreiro para outra coisa =D

    • Já leu Azincourt de Bernard Cornwell? Se não recomendo, vou ver se consigo ter uma brecha para ler a sua indicação. Tenho uma visão muito diferente de guerreiros.

      • Yukiartic,
        Li apenas a primeira edição de Vagrant Soldier Ares, apenas porque me interessei pelo prefácio. Vou tentar encontrar a sua recomendação. Vlw!

        Scizornl,
        Azincourt eu ainda não li, uma pena, visto que as obras de Bernard Cornwell são fantásticas.

        Obrigado senhores pela visita e comentários!

  2. Não entendi. Qual é o problema? Jogar de guerreiro, jogar sempre com o mesmo personagem ou jogar preso a estereótipos? Uma classe só é inflexível se o jogador assim a fizer. Acredito ser muito mais uma questão de capacidade de interpretação que um problema da classe, até porque acho guerreiro uma das classes que possuem a maior capacidade de variedade de armas, interpretação e background. O problema é estereótipo, e isso todas as classes têm.

    • Concordo plenamente com as últimas frases. O interessante é forçar o jogador a largar sua arma principal e utilizar alternativas. Arcos, combate montado, lanças essas coisas que ficam mais interessante. E claro todo RPG é diversão e aprendizado. 🙂

    • O texto é uma crítica aos jogadores que jogam somente com uma classe. Escolhi o guerreiro, tanto por experiência pessoal quanto pelo excesso de heróis presentes em diversas mídias, mas também citei brevemente que isto pode ocorrer com outras classes.

      Não apenas uma questão de capacidade de interpretação, mas da mesma forma que o jogador limita-se a escolher sempre determinada classe, seja ela um guerreiro ou não, ele estará limitando-se, privando-se de desenvolver o próprio roleplay, a criatividade e imaginação, talvez até o mais importante, a improvisação (sendo esta uma característica que não deve partir apenas do mestre em jogo)

      Obrigado pela visita e comentários!

  3. Acho que todo mundo que começa a jogar rpg, deveria fazer como primeiro personagem um guerreiro. Além de versátil é de fácil interpretação e entendimento das regras.

    Infelizmente o estigma de guerreiro com força 18 e inteligencia 8 sempre decepcionam a maioria das mesas….

    • Discordo. Pessoas diferentes tem afinidades diferentes. Não tem como padronizar um “start”. Você oferece opções elegíveis. Não tem como fugir pessoas digamos nascidos da década de 80-90 não se lembrar de filmes como Senhor dos Anéis, Coração Valente, Highlander e outros clássicos onde os Guerreiros da espada são os protagonistas.

      Estas culturas vão formando uma estrutura mental de um personagem poderoso, o “intocável”, vitorioso. Alguns possuem curiosidade de experiementar um sabor diferente. Mas é o dever do mestre estimular esta curiosidade e demonstrar o porquê.

      • LeoPoa,
        Bom, para quem deseja começar a jogar RPG, não vejo problemas em jogar por um tempo com a mesma classe, até adquirir a “manha do jogo”.

        O ideal é não tornar isso um vício de jogo. Aliás, concordo contigo, Scizornl.

        Obrigado pelas visitas e comentários

  4. Eu gosto bastante da classe guerreiro, mas é muito legal jogar como um ladrão ou um ranger de vez em quando. Acho que se o cara for criativo, ele pode ser guerreiro em vários jogos, mas sempre um guerreiro diferente.

    • Exatamente como penso. Quanto mais criatividade melhor. Eu gosto bastante de variar, porque isto ajuda a compreender os comportamentos daquele personagem em alguma situação. Por consequência seu personagem predileto fica muito mais maduro e mais gostoso de ser trabalhado. Continue assim! o

      • Luis Felipe e Scizornl,

        Também gosto da classe guerreiro, acho ela tão divertida quanto as demais do livro.

        Acho que se o jogador não deseja explorar outras classes em jogo, seja ela um guerreiro ou qualquer outra, é mais do que necessário abordar temas e formas diferentes de personagens em uma mesma classe.

        Obrigado pelas visitas e comentários

  5. Bom, achei o texto um tanto estranho. Ou só eu achei que ele falou, falou, mais o titulo não tinha muito a ver com o texto em sí? Apesar de ter usado palavras bonitas. O.o”

    Acho que tava mais para: “Um desabafo, parem de jogar só de guerreiros na minha mesa!” SAUHASUHHUASS~

    Acho que cada um deve jogar com o personagem que o satisfaz. Um RPG é um jogo de contar história e acima disso, o jogador, assim como o narrador deve ser divertir. Claro que, uma campanha aonde todos os jogadores são guerreiros, deve ser chata. Mais se um jogador só se sente bem jogando com Guerreiros e os outros podem exercer outras funções, acho que o Narrador não deve se meter na opinião individual dele.

    Mais, assim como tenho essa visão, acho que o Narrador muito bem pode, diversas vezes, oferecer e incentivar os jogadores a mudarem seus hábitos, ajudar em backgrounds interessantes relacionados a sua trama central, talvez e coisas do gênero. Esse tipo de atitude, muitas vezes, realmente ajuda “alguns” jogadores a se divertir, só não tentem ser cabeça dura e obrigar (sim, tem narradores tão cabeças duras ao ponto de quase forçarem jogadores a montarem personagens que eles “desejam” na sua mesa, tenso :S). Afinal, o narrador e o jogador devem criar a história juntos, não é?

    Atenciosamente, Blackheart. 😀

    • bem, eu também achei, por isso que não entendi o objetivo do texto. também achei que era mais um desabafo que qualquer outra coisa, mas eu também adoro desabafar lá no rpg do mestre. XD

  6. É aquela velha questão do jogador se sentir confortavel na mesma classe.. embora acho que realmente tem classes que não gostamos do estilo de se jogar(eu por exemplo só jogo de magos ao estilo lamina arcana, de outra forma prefiro um bardo..).

    Bem, pegando pelo menos via d&d 3x e ssimilares, até um guerreiro humano(o personagem mais feijao com arroz) pode fazer dezenas de personagens diferentes.. Outra opção é a multiclasse(embora eu ja tenha enfrentado dificuldades por mestres que n permitiam essa regra, mas enfim, cada um tem seu jogo..)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s