Entrevista Paragônica com Eduardo Caetano, autor do Violentina!

Eduardo Caetano, autor do Violentina lançado através da campanha de financiamento coletivo, pela Secular Games, concedeu uma entrevista paragônica, contando um pouco sobre suas experiências, influências e aspirações. Saiba sobre o desenvolvimento do Violentina e Meu Brinquedo Favorito, a campanha e o pensamento independente da Secular Games, futuros projetos, e a opinião de quem está por dentro do mercado nacional!

ENTREVISTA PARAGÔNICA – EDUARDO CAETANO


Nome:  Eduardo Henrique de Martins e Caetano
Idade: 30 anos
Profissão: Arquiteto & Urbanista

Conte-nos um pouco sobre sua primeira experiência com o RPG?

Aos 14 anos, adquiri um volume das Aventuras Fantásticas – A Cripta do Vampiro – em uma livraria em que a funcionária insistiu que eu levasse algum RPG – sabe-se lá o que era isso – eu queria era o livro de vampiro… Não sabia do que ela estava falando. Quando meses depois adquiri um exemplar da Dragon Magazine e descobri do que se tratava, minha cabeça explodiu. Juntei dois amigos e seguindo as explicações básicas da revista, “mestrei”  A Cripta do Vampiro para eles, assim, meio improvisadamente. Assim que tive oportunidade (leia-se, grana…) comprei meu primeiro livro de RPG de verdade. Meu mais precioso livro, o Tagmar. Mestrei uma campanha de dois anos, sem nunca saber ao certo, se estava fazendo o negócio direito. Pois afinal, fazia tudo sozinho, ninguém havia me ensinado a jogar, e eu enfiei na cabeça que precisava fazer isso. Foi uma das melhores épocas da minha vida.

O RPG obteve algum outro significado em sua vida além de um jogo?

Sempre fui muito curioso e interessado em conhecimento. Mas o RPG potencializou isso ao máximo. Aprendi inglês, lendo o Wraith, pois sabia que não seria traduzido tão cedo, e eu precisava jogar aquilo.

Além disso, o  grupo de Tagmar cresceu tanto, passamos por tantos outros jogos, que criamos um projeto de By Night em Varginha, onde morava. Era um projeto significante, pois haviam jogadores dos By night de Sampa, Rio e BH, que iam pra cidadezinha do interior jogar com a gente. As amizades que surgiram naquela época, mantenho até hoje, e são amigos que transcendem ao hobbie. O aspecto social, afinal, sempre foi o mais importante.

Quais são as suas experiências com eventos de RPG, sejam eventos de sua cidade ou EIRPG?

Eu e mais dois amigos fomos ao VII EIRPG, onde conhecemos o Douglas D3, e o vínculo com alguns jogadores de São Paulo se fortaleceu. Continuamos indo todo ano, pelos três anos seguidos. Estes encontros eram o máximo, pois aonde você poderia imaginar encontrar milhares de pessoas com mesmo interesse por esse jogo maluco? Era a nossa Disneylândia.
Após essa época, dei uma afastada boa do hobbi, por conta da faculdade de arquitetura. Coincidiu com a época em que o preconceito com o hobbie teve seu auge, e muita iniciativa legal sumiu.

Hoje em dia, após voltar de cabeça, após juntar muita informação e conhecimento de fora da cena, vejo que os eventos que tem surgido, são potencialmente mais interessantes que os daquela época: Iniciativas como o Quero Jogar RPG aqui em BH, ou mesmo a RPGCon em SP, e diversos outros eventos menores espalhados pelo Brasil, são muito mais sedutores, por serem feitos por nós, e para nós. Existe algo de D.I.Y., compartilhado com todo mundo que participa, que faz com que todos tenham a sensação de que o encontro também é seu, responsabilidade sua.
Atualmente, tento comparecer ao máximo de eventos possíveis. É uma prioridade pessoal.
Você prática outro hobby ou esporte?

Nada de esportes, bem que gostaria… Mas tenho como outro hobbie, o prazer de estudar por conta própria o ofício de encadernação, costura e restauro de livros. Livros físicos sempre tiveram um aspecto de fetiche para mim, e isso meio que veio naturalmente. O universo da internet, dos livros digitais em PDF’s só veio a acrescentar, pois eu tento encaderna todo RPG em PDF que adquiro!

O que é indispensável para ser um bom jogador, mestre e grupo?

Acredito que não exista algo definitivo, cada grupo tem sua química própria, e todas as formas de jogar são legais e válidas. Mas o que acho mais substancial, é absorver a ideia de que o jogo em si, não é o mais importante. E sim a experiência coletiva, aqui, no mundo real, com os amigos. Dessa forma, acho que a melhor qualidade que um jogador possa ter, é saber ceder. E criar em cima da contribuição alheia.

  • Vamos para as rapidinhas!

Um ídolo? Admiro muitas pessoas, mas não sei se idolatro alguma. Talvez o Tyler Durden! =]

Um filme? Blade Runner.

Um game? Phantasmagoria.

Um objetivo? Equilíbrio.

Uma música? Children of the Grave, do Black Sabbath

Um RPG? De sempre: Tagmar. Atualmente, Apocalypse World.

 

  • Violentina

Como surgiu a ideia do Violentina e quais foram suas principais inspirações e fontes para criação do material?

Sempre me questionei o porquê de ninguém ainda ter utilizado o Tarantino como referência para um RPG, pelo menos até onde eu conhecia. Ao me deparar com a nova cena gringa de produção independente, as discussões teóricas do The Forge e o modo como estes “Story Games” se apropriavam do conceito do tema e do cenário para desenvolver as mecânicas, não tive escolha, a não ser experimentar fazê-lo.

Estudei muitos jogos gringos para entender como as mecânicas se amarravam ao conceito do jogo. Fiasco é a grande obra prima neste sentido. Mas há muita coisa da simplicidade dos jogos do John Wick, que está presente também no Violentina. A lista de inspirações e referências é grande.

Assim como os filmes do Tarantino!

Como aconteceu o processo de produção do jogo, desde a sua concepção inicial, as complicações e soluções finais?

Assisti e reassisti muitos filmes do Tarantino e do Guy Ritchie, para tentar descobrir quais elementos que estes filmes compartilhavam. Topicalizei-os em possíveis mecânicas. A jogatina é uma elemento sempre presente, então a escolha do baralho como elemento aleatório veio naturalmente. Desde o princípio, optei por fazer o desenvolvimento em aberto, junto a comunidade, e o Garagem RPG havia acabado de surgir, mais providencial, impossível! Depois de ter um esqueleto conciso, comecei a testar com amigos. Isso foi fundamental. Cada nova sessão, eu voltava pro computador cheio de alterações a fazer. É um processo de refinamento massa. Disponibilizei um arquivo rascunho para playtest no blog e após o inicio da campanha, uma nova bateria de playtest, tanto minhas com outros grupos, quanto de pessoas da rede, fez com que o jogo encontrasse sua forma final.

Outra coisa importante para mim, era concepção estética do livro. Desejava que ela tivesse um caráter forte, e expressasse o conceito do jogo. Portanto, enquanto o texto passava por editoração e revisão, me debrucei sobre o design e a arte interna. Em parceria com o Rocha, chegamos ao resultado final. Foi um processo intenso, mas muito legal. Acho que o resultado superou minhas expectativas.

Como surgiu a ideia para a campanha de financiamento coletivo?

Em uma ocasião em que jogamos 3:16, comentei com o Rocha se a Secular tinham o interesse de testar o formato de crowdfunding para publicar jogos no Brasil, ao exemplo do Do: Pilgrims of the Flying Temple, do Daniel Solis, que havia acabado de atingir um recorde surpreendente no Kickstarter. Conversamos despretensiosamente sobre o assunto, mas não havia nada concreto em cima pra debater. O Violentina ainda era bem embrionário, mas nessa mesma época, fiz um post no meu blog, analizando a possibilidade no Brasil, uma vez que já haviam alguns sites de incentivo coletivo funcionando. Na mesma semana, o Bruno Pereira, um dos fundadores do Movere, deixou um comentário no post, dizendo ser um veterano jogador de RPG e que se sentiria honrado de hospedar a campanha pra viabilizar o jogo no site dele. Não tive dúvidas. Mandei um e-mail para o Rocha, perguntando se caso eu viabilizasse a grana para impressão de uma tiragem do jogo, a Secular teria interesse em publicar pelo seu selo. E eles disseram que adorariam!

 


  • Secular Games

Como começou a relação entre a editora e o Violentina? Houve propostas e fase de negociações?

Conheci o Rocha, a Mamute e a Secular na RPGCon 2010. Os caras são da minha cidade, e fui conhecê-los em São Paulo, vai entender… O lance é que voltei pra casa lendo a Mamute, e ela foi a gota d’água para eu decidir começar a produzir por conta própria, os jogos de meu interesse. Era meio que um sonho, publicar algo pela Secular, pois me apetece muito a visão deles em relação ao hobbie;

Após combinarmos que valeria a pena testar o formato de crowdfunding com o Violentina, decidimos como seriam as coisas em algumas reuniões na mesa de bar. Durante a RPGCon 2011, deixei dez cópias no stand deles, para tentar testar a receptividade do público. Esgotou em duas horas de evento. Duas ou três semanas depois, a campanha estava online.

Os playtests foram supervisionados pela editora? Como ocorreram?

Na verdade não, eles me deram liberdade total durante todo o processo de produção do livro. Mesmo assim, à partir do início da campanha, eu compartilhava tudo com o Rocha, desde o corre com os fornecedores, até arte e diagramação. A opnião dele foi imprescindível no que veio a ser a concepção final do livro e dos produtos.

Metade dos playtests foram feitos antes da campanha de financiamento coletivo, com amigos. Depois da campanha, rolamos a outra metade dos playtestes em alguns eventos aqui em BH e em Sampa. Houveram também playtest da galera que leu a versão de rascunho – liberada durante todo o tempo em que desenvolvi o jogo – como o pessoal de Brasília do MaisRPG (Marcos Silva, Tiago Marinho e Ricardo Malliens) que inclusive publicou um podcast da sessão no blog deles. Todos estes testes foram fundamentais para aprimorar as mecânicas, e portanto, sou eternamente grato a todo mundo que ajudou.

  • Meu Brinquedo Preferido

Meu Brinquedo Preferido  é outra de suas criações, fale nos um pouco sobre ele.

MBP é um jogo com uma temática bem diferente de Violentina. O foco é no universo infantil e gira em torno de uma criança específica, criada coletivamente no início da sessão. Os PC’s são os brinquedos desta criança, e atuam tanto em um Mundo Imaginário, quanto no real, o Mundo Chato.

É um RPG com um formato mais tradicional, mas bastante conceitual, uma vez que o papel dos personagens é ir resolvendo os Medos que a criança possui, auxiliando-a em seu processo de amadurecimento. A personalidade destes brinquedos, é enfim, nada mais do que as qualidades latentes da própria criança, projetadas na figura dos heróis em miniatura, ursinhos de pelúcia ou carrinhos superpotentes…

Apesar da temática infantil, é decididamente um jogo pra adultos. A inspiração para criá-lo surgiu como uma metáfora da nossa própria condição de jogadores de RPG, uma vez que o que fazemos não é nada mais que brincar de faz de conta. O objetivo era evidenciar o fato destes passatempos serem ótimas atividades lúdicas, benéficas e saudáveis, e que sempre nos auxiliaram na busca por auto-conhecimento.

Sendo um jogo para concorrer no Concurso Faça Você Mesmo de Criação de Jogos, da Secular Games, como foi o desenvolvimento dele em tão pouco tempo?

Eu tinha havia algum tempo, a ideia de fazer um jogo em que os personagens fossem brinquedos. Inspirado talvez por ToyStory, e pela minha própria relação de intensa nostalgia com a infância, eu achava que era uma ideia interessante. Mas nunca tinha botado no papel, nem havia pensado nas mecânicas.
Na época do concurso, decidi por explorar esta idéia. Minha principal referência foi o My Life With Master, do Paul Czege. Eu queria que a mecânica fosse menos aleatória, e mais focada na gerência de recursos, então o Dominó veio a tona. O princípio é que para resolver os Medos da criança, era necessário fazer “conexões cognitivas” como uma metáfora ao processo de aprendizado, em que juntamos duas informações para gerar conhecimento. São portanto, as conexões do jogo de Dominó. Eu morava sozinho, e passei o carnaval, e os finais de semana escrevendo. Enviei o arquivo as 23:59 do último dia de concurso, e mesmo assim, ainda meio incompleto.

Há possibilidades de torná-lo outro lançamento indie nacional, através da Secular Games?

Sim! A possibilidade existe, e estamos conversando a respeito. Mas ainda não sabemos bem como isso pode se dar, se vai ser novamente por incentivo coletivo, ou pré-venda, por exemplo.

De qualquer este é meu principal projeto para este ano, e nesse momento, estou trabalhando na sua revisão para começar uma fase de playtest intensivo, aplicar o que aprendemos com a campanha do Violentina, para potencializar o apelo do jogo, e brincar com o design e diagramação do livro, que é uma das coisas que mais me dá prazer no processo.

 

  • Mercado

Nos últimos anos o Mercado Nacional RPGístico obteve um aumento significativo, através de pequenas editoras, lojas e produtos online, qual a sua opinião sobre isso?

Acho fantástico! É como se fosse um sonho pessoal, de como eu gostaria que as coisas fossem na cena nacional, que se realizasse. A relação autor-editora-jogador é mais pessoal, intimista. Todo mundo sente que pode criar e participar mais de todo o processo. Todo mundo contribui mais e todo mundo sai ganhando. O modelos de negócio destas editoras são mais seguros, ainda que menos grandiosos, mas se encaixam, ao meu ver,  como uma luva ao mercado nacional. Temos a faca e o queijo na mão. Tá na hora de botarmos lenha na fogueira.

Recentemente, com a inclusão de produtos online à venda e os ataques e exclusão de diversos sites de compartilhamento, qual o seu ponto de vista sobre a Pirataria, seja em um aspecto geral ou relacionada com o RPG?

Pessoalmente, inclusive em relação a minha própria criação por exemplo, eu sou favorável a pirataria. Não acredito que ela atrapalhe as vendas, pelo contrário, existem dados que mostram que ela potencializa as vendas.

Acredito que o autor deve ter plenos direitos sobre a sua obra, mas o que se vê, e o que eu acho ser o problema, é a exploração das grandes indústrias de entretenimento, em cima das obras. No mercado editorial, o que é padrão, é o autor receber 10% em cima do preço de capa. Claro que existe um enorme gasto com a produção e distribuição, mas quem lucra mais, no final das contas. O mesmo para u universo da música, etc…

Mas acredito que isso é de cada um. Um autor deve ter o direito de escolher a melhor forma para ele de lidar com a sua obra e o mundo digital. Eu pessoalmente não me sinto lesado, se piratearem meu livro. Me sinto lisonjeado. vai ter mais gente jogando, que é o que importa afinal. Mas isso é uma opinião pessoal. E não sou necessariamente contra a opiniões diferentes.

Você mudaria algo no atual mercado nacional de RPG?

Cara, se o mercado seguir a curva de progressão em que as coisas estão acontecendo, não mudaria muita coisa não. A cena está interessante. está fervilhando, e tem um puta potencial. Os próximos anos estão prometendo!

Acredito que o lance agora, é apostarmos na produção mais diversificada, celular e objetivada, no modelo de D.I.Y., ao invés de apostar grande. Tem muita gente muito boa de serviço espalhada pelo país, dá para trabalhar a distância, vide casos como a sociedade da RedBox, ou as publicações da Retropunk como Terra Devastada do  John Bogéa e o O Reino de Bundhamidão. Nós jogadores temos de apoiar estas iniciativas. Pois mais que visar apenas o lucro, elas são feitas com paixão, por amantes do hobbie, para os amantes do hobbie.

Finalizando, existem novos projetos ou futuros lançamentos que você esteja trabalhando?

Putz! Minha cabeça tá fervilhando de ideias e projetos. Nesse instante meu foco é em finalizar uma versão do Meu Brinquedo. Por este ano, talvez este seja o único lançamento com chance de se realizar.

Mas além disso, meu interesse é fomentar de todas as formas possíveis, a geração de conteúdo. Tenho planos de deixar um canal ativo de vídeos no youtube sobre RPG. É uma mídia super interessante e pouco explorada ao meu ver. Qeuro poder contribuir mais com os eventos, com maior participação e sugestão de derivados, com foco no retorno a sociedade. Acho que isso tem um papel fundamental na desmitificação do hobbie para os leigos, e percepção da sociedade que o RPG é uma ótima ferramenta de crescimento cultural. Existe um grupo nos EUA, por exemplo, que leva momentos de alegria e descontração à crianças internadas, ao rolarem jogos de RPG e tabuleiro em hospitais. Quero poder fazer algo semelhante. Fazer ações do gênero, seria o máximo!

 

Anúncios

14 comentários sobre “Entrevista Paragônica com Eduardo Caetano, autor do Violentina!

  1. Obrigado pela entrevista Eduardo, é bom ler algo, de alguém que realmente está ligado a cena e ver que suas opiniões e aspirações são positivas, temos gente demais prevendo o futuro e se esquecendo de viver o presente e é isso que falta na maioria dos autores e iniciativas, um pensamento critico sobre como podemos melhorar sem tirar o pé do chão. Força e sucesso companheiro, nos vemos na #RPGCON2012.

  2. Eu já vi um vídeo do Caetano no youtube ensinando a fazer um escudo pra um jogo de RPG. Muito bom por sinal, vi o vídeo antes de saber do Violentina. Esse cara é muito bom, promissor.

  3. Puxa galera! Que bacana!
    Valeu demais pela força e pelo estímulo! =D

    Sou muito grato ao Paragons, pelo espaço e pelo interesse no meu trampo!

    A cena tá massa, todo mundo aqui tá fazendo sua parte também, né seus malandros! =]

    Abração à todos!

  4. Folgo em ler essa entrevista e como o RPG Nacional tem crescido exponencialmente, os números não mentem, é a melhor fase do RPG no Brasil. Temos que comemorar e continuar incentivando cada vez mais o mercado, de forma que ele se retroalimente e não ocorra mais nenhuma bolha.

    Parabéns Caetano, tu tá mandando bem pacas. Parabéns pela entrevista D. Dark Angellus.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s