Conceito: Ninjas – Parte 02

Seguindo com a continuação sobre os mistérios que cercam a Arte Ninja, abordando suas características e referências históricas, buscando aprimorar o conhecimento dos inúmeros fãs através de uma visão detalhada, sobretudo, abrangente e verossímil, deste mitos utilizados com bastante frequência em diversas mídias de entretenimento, inclusive em nosso apreciado RPG.

A idéia que se tem dos ninjas é a de guerreiros que matam impiedosamente e conseguem desaparecer. Está imagem, persistente até mesmo no imaginário japonês, tenta ser desfeita pelos propagadores do ninjutsu contemporâneo, propondo uma filosofia de vida que prega a liberdade, independência e autoconhecimento. Para ser um ninja moderno, nada de mágica ou poderes sobrenaturais, bastando se conhecer profundamente, ter perspicácia para agir da melhor maneira e paciência para saber a hora certa de cada ato.

Kenshin Uesugi (1530-1578) foi uma das maiores figuras do Japão feudal e conquistou notável fama devido às habilidades de guerra e à perícia na estratégia militar, contudo, se no campo de batalha foi imbatível, pouco poderia ter feito contra aqueles que agiam nas sombras: os Ninjas. Um ataque articulado em um local, no mínimo, improvável, uma das características desses guerreiros secretos, foi o que finalmente derrotou o célebre daimyô (senhor feudal).

Depois de ter dissolvido uma invasão de ninjas em seu castelo,a guarda de Uesugi estava mais relaxada. Ukifune Jinna, ninja habilidoso, traçou um plano para tirar vantagem da ocasião.Aproveitando-se de sua baixa estatura,resolveu se esconder onde dificilmente seria encontrado — na latrina do senhor feudal.Buracos feitos no chão,cobertos por madeira,as latrinas foram uma espécie de predecessoras dos vasos sanitários.Essa informação, por si, já basta para dar uma idéia do caráter “inusitado” do ataque.

O ninja esperou o momento oportuno para agir, posicionado pacientemente debaixo da tampa de madeira, à qual se agarrava numa posição mais que incômoda.  Depois de muito tempo, quando Uesugi sentou-se sobre a latrina, Jinnai empalou-o com sua espada e nada mais poderia ser feito pelos seus subordinados e samurais: – seu senhor agonizava e morria.

Para não ser pego, Jinnai avançou na cova e mergulhou entre as fezes. Mais uma vez, lançou mão da paciência para sobreviver. Ficou sob os detritos por um longo tempo, utilizando a bainha de sua espada como cano para buscar ar na superfície. Truque após truque, os ninjas conseguiram derrotar um dos maiores estrategistas de guerra que o Japão conheceu, segundo uma das versões da morte de Uesugi.

Paciência para esperar o momento certo do ataque, perspicácia para pensar na melhor maneira de agir e autoconhecimento que lhe permitiu tirar vantagem de sua baixa estatura, foram as ferramentas utilizadas para alcançar a vitória e é exatamente isso o que o ninjutsu propõe. Autoconhecimento e atenção aguçada compõem a fórmula ninja para não ter surpresas: nem o inimigo nem você mesmo agirão de maneira inesperada.Por isso, dizia-se que o ninja era também capaz de “prever”. De novo, nada de paranormalidade, apenas faculdades mentais bem trabalhadas.

Se o perigo está na falta de autocontrole e de autovigilância, uma pessoa que “toma conta de si mesma” é menos suscetível a ele. Em uma situação delicada, essa pessoa, de tão bem que se conhece, é capaz de “prever” como reagiria se não tivesse tamanha autoconsciência. Em outras palavras, deixa de errar.

Harmonia

O conceito de harmonia entre corpo e espírito no ninjutsu vai além do lema Corpo são, Mente sã. Não basta ter um corpo saudável para que a mente também o seja, para os ninjas, o corpo é visto como a “ferramenta” do espírito e pelas experiências do corpo, tal como a dor, que o espírito é lapidado. Como corpo e espírito devem formar unidade, uma análise profunda do espírito deve ser feita pelas experiências do corpo e de suas limitações, logo se o desejo é flexibilidade de espírito, deve-se ter um corpo capaz de se adaptar a situações adversas.

Embora que diferente do que o senso comum tende a imaginar, os treinos de ninjutsu não seguem disciplina militar exaustiva, afinal os movimentos repetitivos, pré-estabelecidos, são considerados agressivos ao corpo e pouco próximos da realidade do campo de batalha, para os quais os ninjas eram treinados.

O ninjutsu é uma arte livre. Alunos iniciantes não devem treinar em duplas, fingindo movimentos. Isso é muito distante da realidade. “Flexibilidade e capacidade de adaptação do corpo a situações diferentes, com movimentos naturais”.

Os movimentos devem permitir concentração para que espírito e corpo se comuniquem e um obedeça ao outro, buscando a perfeição, antes do espírito que do movimento. A fé é outra lição dos antigos guerreiros das sombras. Para agarrar-se à vida, é necessário acreditar nela e no que se faz. “Ter persistência é metade da fé, e a outra metade é a paciência”.

Não basta acreditar é necessário persistir, às vezes, por um longo tempo, para alcançar um objetivo. Tudo isso, sem perder de vista quem você é e quais são suas limitações. As verdadeiras lições dos ninjas, aliás, ensinam que para chegar longe, mais do que aprender a voar, é preciso antes de mais nada ter os pés no chão.

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