De Mestre para Mestre #2 – Welton Sousa

Segunda edição da coluna de Mestre para Mestre, que realizará uma série de entrevistas com narradores experientes, buscando compartilhar ideias e contribuir para a formação de novos mestres, além de auxiliar os mais inexperientes e novatos.

Se você é um mestre inexperiente ou iniciante, aproveite está oportunidade para sanar suas dúvidas, através dos comentários. Você, mestre experiente, que deseja contribuir com a coluna, comente também sobre suas experiências e contribua no desenvolvimento de novos narradores. Além disso, aceitamos sugestões para aperfeiçoar e aprimorar a coluna.

De Mestre para Mestre #2

counselingPor favor, faça uma breve apresentação:

Welton Sousa, 26 anos, trabalho como analista de marketing e redator web. Moro em São Paulo, SP e jogo RPG a 16 anos.

Quanto tempo você mestra e como começou?

Minha primeira sessão de RPG foi mestrando, em 1998. Eu tinha 11 anos, conhecia um monte de gente que jogava GURPS (a maioria mais velho) e não tinha como participar das sessões, por causa da distância, além da falta de dependência da idade. Então descobri o 3D&T assim que lançado, na revista de Street Fighter Zero 3. Comecei a inverter os papéis ultimamente, mais jogando que mestrando.

Qual é o seu estilo de jogo, como Mestre?

Gosto de narrar combates, principalmente em detalhes, descrevendo sempre que possível toda a movimentação dos jogadores e NPC’s. Até por isso me apeguei bastante ao falecido Street Fighter: The Storytelling Game. Achava o máximo a quantidade de manobras de combate que o sistema possuía. Nas minhas últimas experiências, até por meu grupo contar com outros mestres bons em roleplay, diálogos e valorização do enredo em si, tento levar um estilo mais “hack n’ slash”, pra dar uma variada.

Quais são as melhores habilidades de um Mestre?

Improvisação, dar vida ao mundo e fazer o jogador/personagem se sentir importante durante o andamento na história. Principalmente este último item, quando se tem muitos perfis diferentes na mesa.

Quais são os seus maiores obstáculos narrando e o que faz para corrigir isso?

Fazer a história fluir na direção que desejo. Muitas vezes os jogadores acabam surpreendendo ou entendendo completamente diferente alguma informação que passo – ou mesmo deixo de passar.

Qual o local e ambiente ideal para realizar uma sessão de RPG?

Um local tranquilo, de preferência na casa de um dos jogadores, onde o grupo tenha espaço e um pouco de privacidade, principalmente para que a interpretação possa fluir tranquilamente.

Como você organiza as suas sessões de RPG?

Normalmente faço um esboço em um caderno ou folha de “o que vai acontecer”, mas o mais simples e básico possível, fazendo um fluxograma para definir algumas possibilidades. Para os combates, faço umas anotações do básico de cada criatura que pretendo usar, e se for um encontro mais aleatório (como um punhado de orcs, kobolds, etc), deixo pra resolver na hora a quantidade, estratégia, etc.

Qual o seu processo de pesquisa e planejamento para desenvolver uma história e aplicá-la em jogo?

Se for em um cenário famoso, como uma adaptação de um livro ou filme, procuro ler/assistir o que estiver disponível. Sempre tento dar uma olhada em reportes de campanha de outros mestres e jogadores pela internet afora, no caso de cenários grandes de RPG, como Dragonlance ou Tormenta. Também procuro obras de outras pessoas sobre o assunto, como fanfics. Mesmo um fanfic que não seja tão bem escrito tem grandes chances de conter boas ideias!

Quais são os temas recorrentes em seus jogos e como faz para usá-los?

Sempre procuro deixar meus jogos com cara de “aventura clássica”, e abusar dos clichês. Acabo abusando muitas vezes da ação, e deixo outros elementos (como comédia, terror, etc) para dar um “tempero” quando necessário.

Como manter os jogadores focados no jogo?

Tem que fazer todo mundo se sentir importante. Se toda a aventura o ladino “brilhar” porque tem mais lábia e é cheio de perícias, o resto do grupo dispersa. Se só o guerreiro mandar bem nos combates, vai ficar chato para aquele mago de 1° nível. Se não tiver nada para o hacker invadir, ele vai parar de prestar de atenção no jogo. Por isso o Mestre precisa entender muito bem que tipo de jogador e que tipo de personagem está na sua mesa.

Quais são as principais qualidades de um jogador e como explorá-las a favor do jogo?

Acho que a principal habilidade do jogador é o trabalho em equipe, e não apenas dos seus personagens. Se aquele carinha que fazia curso de teatro e adora se destacar em momentos de roleplay sabe que o amigo do lado ficou 3 horas lendo os livros e pesquisando em fóruns para montar aquele paladino que dá 9d6 de dano com o martelo no primeiro ataque, tem que se mostrar camarada na hora de matar e pilhar. O mesmo vale para a situação contrária: se o Malkaviano escreveu duas páginas de background para o personagem dele, é legal que o grupo leia, se interesse, pergunte se pode se encaixar no passado dele e tudo o mais. Esse é um dos pontos mais difíceis de se acertar em um grupo, e cabe o Mestre a explorar os pontos fortes de todo mundo, tentando entender como cada jogador gosta de levar sua sessão.

Quais ferramentas ou acessórios você usa, e como eles são capazes de auxiliar mestres?

Se você quer jogar um jogo de fantasia medieval, mesmo que não goste do sistema, vale a pena comprar a caixinha vermelha (já lançada no Brasil), o Dungeon Master’s Kit ou o Monster Vault do D&D 4E só pelos tokens e mapas. São todos muito versáteis e úteis para qualquer sistema que peça movimentação por mapa, além de ocuparem pouco espaço. Outros kits como as miniaturas da Redbox também são excelentes. Quando possível, gosto de levar alguns itens “reais” para mesa, como uma carta ou coisas assim. Recentemente, estou jogando Star Wars em uma mesa onde o Mestre faz um “crawl” (aquele texto inicial dos filmes) que faz a galera se ambientar muito rapidamente. Trilha sonora também é muito legal, mas pode quebrar o clima se você resolver colocar aquela banda que todo seu grupo gosta.

Quais são suas principais referências, além do RPG?

Gosto muito de livros e quadrinhos, mesmo que a obra não seja lá essas coisas. Acho que por ser muito fã de esportes (principalmente futebol americano) gosto de levar aspectos “estratégicos” pra mesa, pensando em criar táticas legais na hora do combate ou de uma guerra, emboscada, etc. Também é legal pegar referências de algum lugar onde seja meio improvável, como uma música do Raimundos chamada Kavookavala, que certa vez resolvi redigir em forma de aventura.

Na sua visão de Mestre, descreva uma sessão de RPG perfeita?

Com todo mundo se divertindo, entrando no clima do cenário, chamando os outros jogadores pelo nome do personagem sem nem perceber, gente pegando ódio de NPC e não vendo a hora de dar o troco nele e coisas assim. É legal ver todo mundo se sentir parte do mesmo grupo.

Um conselho essencial para um mestre inexperiente?

Se você achar que suas primeiras sessões forem uma porcaria, relaxe. Muito provavelmente seus jogadores pensaram diferente de você, senão nem iriam ter participado da próxima. Sempre que possível, procure referência, leia alguma coisa em fórum, pesquise outros sistemas se o atual não te deu a “pegada” que você quer, tem muita alternativa por aí. E principalmente nunca deixe de se divertir, afinal esse é o intuito do RPG ou de qualquer outro jogo!

3 comentários sobre “De Mestre para Mestre #2 – Welton Sousa

  1. Pingback: De Mestre para Mestre #1 – Paulo (Palatus) | Adrenalina RPG

  2. O Welton é um excelente mestre. Tive a oportunidade de jogar uma partida de D&D 4E e uma de Old Dragon num RPGCon. O cara domina a arte da narração.

    O legal é que ele costuma transportar uns elementos diferentes pras aventuras. Na de OD, a aventura era inspirada em Branca de Neve e os 7 anões. Tipo isso que ele fez com a música dos Raimundos.

    Aê Welton, sucessos decisivos pra ti \o

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