De Mestre para Mestre #4 – Júnior Guimarães

Quarta edição da coluna de Mestre para Mestre, uma série de entrevistas com narradores experientes, buscando compartilhar ideias e contribuir para a formação de novos mestres, além de auxiliar os mais inexperientes e novatos.

Se você é um mestre inexperiente ou iniciante, aproveite está oportunidade para sanar suas dúvidas, através dos comentários. Você, mestre experiente, que deseja contribuir com a coluna, comente também sobre suas experiências e contribua no desenvolvimento de novos narradores. Além disso, aceitamos sugestões para aperfeiçoar e aprimorar a coluna.

De Mestre para Mestre #4

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Por favor, faça uma breve apresentação:

O nome é Junior, sou Designer Gráfico de serviços evangélicos (ironicamente) em São Paulo capital, zona sul. Yo.
Acho que não tenho mais o que falar de mim além de que eu não levo porcaria nenhuma muito a sério, e sou duas vezes mais preguiçoso do que sarcástico. Enfim…

Quanto tempo você mestra e como começou?

Mestro há uns 15 anos, comecei com uns 9 anos de idade no Pokémon. Acho que todo mundo da minha época começou no pokémon, 3D&T. E depois passou para Tormenta. Como todos queriam jogar e era a primeira vez de todo mundo no grupo (eu, um amigo e meu irmão no caso) sobrou para mim ser o mestre. E isso se arrastou por anos, sempre sobrando para eu mestrar, até que peguei gosto e hoje em dia prefiro mestrar. Quando jogo sinto frequentemente vontade de dar um tapa na cara de quem ta narrando e mandar ele sair dali para deixar eu continuar a historia. No fim das contas, acho que já narrei e apresentei o RPG para quase 50% da cidade de onde vim, a ponto de chegar gente que não reconheço falando que jogou comigo narrando. É mágico. lol

Qual é o seu estilo de jogo, como Mestre?

Acho que o RPG tem que ser mais focado no enredo e no social do que nas dungeons e combate em si. Tem que ser um jogo onde os players lembrem dele como “Olha, vc lembra aquela vez que a gente teve que enfrentar seu pai que tava possuido pra salvar as criancinhas da vila ?” “Sim cara, quase chorei naquela parte.” ou “Porra, vc lembra aquela vez que o gênio me concedeu um desejo, qualquer que fosse, e eu pedi minha espada de 1d8 que perdi de volta ao invés de pedir uma quantidade de ouro infinita ou coisa do tipo?” e não algo como “Lembra daquele Barbaro lv.20 fodão que eu tinha?”.

Acho que a gente tem que usar o RPG pAra criar lembranças memoráveis. Que façam vc pensar, “Nossa, como essa campanha foi foda.” ou perder horas rindo quando lembra de algo que aconteceu. O objetivo mestrando é esse… Vc não tem que levar o RPG extremamente a sério. Vc tem que se divertir. Criar algo digno de ser lembrado pela sua vida toda, que te dê orgulho de ter perdido tanto tempo com aquilo.

Quais são as melhores habilidades de um Mestre?

Obviamente, improviso (no sentido criativo). Acho que isso principalmente é o que faz um mestre fodão. lol

Quais são os seus maiores obstáculos narrando e o que faz para corrigir isso?

Tempo. Na minha idade, se vc trabalha e namora, sobra quase nada de tempo pAra jogar. E eu morando numa cidade e meus players em outra, então… fode tudo. A solução é jogar uma vez ou outra online mesmo, no RRPG ou Skype. E claro, sempre que dá, marcar de viajar e jogar pessoalmente. Porque nada se compara a jogar pessoalmente. rs

Qual o local e ambiente ideal para realizar uma sessão de RPG?

Um lugar quieto, de preferência a casa de alguém quando os pais ficam na deles e não ligam para o barulho. Apesar de que para quem quiser conhecer pessoas, uma praça é boa pedida. Conheci muita gente e ensinei muito curioso a jogar porque os meus grupos jogavam em locais públicos. Depende do seu perfil. Se quer tranquilidade ou aumentar seu grupo.

Como você organiza as suas sessões de RPG?

Em questão de horários… Acho que grupo no facebook resolve. Ou ter celular de todos, minhas sessões nunca tem horários certos. Já para organizar na mesa é só mandar todo mundo calar a boca e só falar no seu turno. Ai o RPG pode começar e prosseguir. lol

Qual o seu processo de pesquisa e planejamento para desenvolver uma história e aplicá-la em jogo?

Ler, assistir filmes, animes, jogar games, coisas que as pessoas fazem no dia a dia… Tudo dá para se utilizar de experiência para desenvolver a sua história, inclusive perder tempo criando NPCs e cenários aleatórios por diversão, coisas do gênero. Depois mistura tudo, adiciona improviso e pronto. RPG!

Quais são os temas recorrentes em seus jogos e como faz para usá-los?

Olha, de gênero, meus grupos são bem travados em fantasia medieval. Para não ficar a mesma coisa, tento mudar os gêneros de NPCs, vilões e reinos onde eles jogam. Criar enredos bem diferentes dos outros e etc. Também é bom montar historias e personagens prontos para forçar seus jogadores a aprender a interpretar algo que você criou, é um bom exercício para iniciante. Agora, terror, ja narrei muito. Mas sempre foi com jogador baderneiro que atirava na cabeça da criancinha antes mesmo de ela começar a ser possuida, então não tenho muitas dicas. Vc precisa encontrar o grupo certo pra jogar o gênero certo.

Como manter os jogadores focados no jogo?

Ter poucos jogadores no grupo ajuda. (No caso de muitos jogadores, vale até a pena pensar em convidar uma segunda pessoa para narrar a mesma aventura e separar o grupo em dois. E sim, funciona, se você souber se sincronizar com ela.)
Manter o turno dinâmico e não deixar eles começarem a se dispersar. Deixar os personagens num grupo unico é algo que ajuda também. Porque se dois estiverem em turno ativo, o terceiro não vai ter um desocupado para puxar assunto. Porém o que mais prende é fazer eles se interessarem na história, o que é dificil com certos tipos de jogadores. Basta conhecer seu jogador bem, e usar isso contra ele. rs

Quais são as principais qualidades de um jogador e como explorá-las a favor do jogo?

Os que se interessam pela história, e tem iniciativa. Que vão atrás da historia e da aventura e, acima de tudo, os jogadores que sabem interpretar e sempre estão PRESENTES nas sessões. São esses que dão gosto para a historia e fazem você ter vontade de narrar. Não tem nada mais bonito que ver um jogador se emocionar com a sua historia e tal. lol

E bom, você pode explorar as qualidades dos jogadores moldando a historia em volta deles, e até treinando eles para serem assistentes, que ensinam os novatos a jogarem por você. Se entra gente nova na história, os jogadores antigos vão ficar putos se você parar para ajudar a fazer ficha e etc. Então, sempre é bom ter um jogador que fica como segundo em comando. Aquele que se interessa de verdade pelo jogo, sabe? Antigamente meu irmão era esse jogador, e me ajudava bastante… Hoje, ele começou a namorar. LOL

Quais ferramentas ou acessórios você usa, e como eles são capazes de auxiliar mestres?

Dados (lol) e um notebook. Por que notebook? Bom, você tem acesso a geradores de nome, fichas e textos para o RPG (se você tiver coragem de digitalizar tudo), manuais, livros e até pode colocar uma trilha sonora no seu jogo. Se você não tiver notebook, sem problema, o lápis e papel oldschool sempre serviram para salvar sua vida. E o tanto de livros do sistema em uso que você conseguir carregar. No que eles auxiliam, dispensa comentários né.

Quais são suas principais referências, além do RPG?

Livros, filmes, animes, e principalmente jogos eletrônicos, como Final Fantasy, Dragon Age, The Witcher, Persona, Skyrim, Mass Effect e milhares de outros… Sou completamente apaixonado por videogames desde pequeno. Igual quase todo mundo que joga RPG, e como sempre fui mais fissurado em RPGs, você tira milhares de referências e ideias para histórias de lá. Claro que ler Tolkien ou George R.R. Martin, ver uns filmes (que andam fracos hoje em dia) e animes ajuda, mas eu diria que minha principal referência sempre serão os videogames.

Na sua visão de Mestre, descreva uma sessão de RPG perfeita?

Fisicamente? Lugar gelado, com coisa para beber (álcool), para comer, sossego, silêncio, com energia elétrica, uma mesa bem grande e ninguém para encher o saco. (Apesar de que mães gente boa que servem lanche no meio da sessão sempre são bem aceitas). Com pelo menos uma menina na mesa, para dar aquele toque feminino para o jogo. (lol) E do outro lado, todo mundo interessado e se divertindo.

Um conselho essencial para um mestre inexperiente?

Tenha paixão pelo que você faz. Narrar é igual escrever um livro, criar um jogo. Para ele ser bom, você tem que saber como atingir seu público, sem você mesmo não perder o interesse ou a originalidade dele. E claro, nunca desista. Porque mestrar pode ser desanimador às vezes, mas quando a campanha acabar e ver os jogadores falando como foi foda, e contando fora de jogo às histórias que eles viveram, vai valer totalmente a pena.

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