De Mestre para Mestre #7 – Alan Silva

Sétima edição da coluna de Mestre para Mestre, uma série de entrevistas com narradores experientes, buscando compartilhar ideias e contribuir para a formação de novos mestres, além de auxiliar os mais inexperientes e novatos.

Se você é um mestre inexperiente ou iniciante, aproveite está oportunidade para sanar suas dúvidas, através dos comentários. Você, mestre experiente, que deseja contribuir com a coluna, comente também sobre suas experiências e contribua no desenvolvimento de novos narradores. Além disso, aceitamos sugestões para aperfeiçoar e aprimorar a coluna.

De Mestre para Mestre #7

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Por favor, faça uma breve apresentação.

Meu nome é Alan Silva, tenho 27 anos, trabalho como educador de informática na Microlins em Belo Horizonte. Mas nas horas vagas sou game designer e organizador de eventos/encontros para jogos de RPG. Estou envolvido principalmente nos projetos: Game Chef Brasil, Prêmio Dragão de Papel e recentemente o Dungeon das Gerais. Sou responsável também pela autoria de alguns jogos, os mais conhecidos são: Cachorros Samurais e Erótica. Nasci e resido na cidade de Nova Lima, 30 min da capital Belo Horizonte.

Quanto tempo você mestra e como começou?

Há 7 anos. Comecei a narrar utilizando uma ferramenta virtual. Esta ferramenta era conhecida com o nome de iRPG. Esse chat narrativo era disponível no site RPG Online. Iniciei com o sistema 3D&T. Compartilharam-me um pdf do livro e achei incrível tudo. Jogar e criar uma história ao mesmo tempo? Achei louco demais, apesar da prática incorreta (mas também não tinha dinheiro para comprar jogos :/). Mas narrar o 3D&T foi algo mágico, queria produzir histórias sem parar. No começo foi muito difícil, insegurança demais. Com prática tudo melhora.

Qual é o seu estilo de jogo, como Mestre?

O meu estilo é: deixarem os jogadores dialogarem e eu apenas soltar perguntas ou respostas enigmáticas. Quando algum jogador não compreendeu exatamente como é o ambiente da narrativa e suas condições aí eu falo, sendo isso, apenas provoco estalos na mente do jogador e deixo-o construir a história.

Quais são as melhores habilidade de um Mestre?

Conhecimento, empatia e cortês. Explicando melhor: conhecimento se resume a compreender no mínimo as regras essenciais para um jogo acontecer. Mas o recomendável é saber o máximo do sistema e cenário de jogo. Mas isso é ilusão para um mestre novato. Se você é um novato pegue apenas uma aventura pronta e um resumo do sistema com fichas prontas. Estará mais seguro.

Empatia é comemorar as ousadias dos jogadores em jogo e fora do jogo (metagame). Além disto, seu jogo não acontece sem jogadores. Se não encontra jogadores vá para um evento e convide um a um na cara de pau sem distinção. Família, jovens, adultos, qualquer um. É um resultado totalmente eficiente.

Cortês é agradecer por proporcionar a experiência de jogo. Compreender o que os jogadores desejam na sessão. Respeito às decisões, tom de voz adequado, sempre falar o nome do jogador fora da sessão e o nome do personagem dentro da sessão.

Quais são os seus maiores obstáculos narrando e o que faz para corrigir isso?

O meu maior obstáculo é sempre as regras. Não sou uma pessoa vidrada em um sistema e cenário. Adoro experimentar jogos e às vezes eu não me lembro de uma regra. Para corrigir eu crio uma cena onde os jogadores ficam apenas dialogando e planejando estratégias enquanto consulto as regras, e vejo se está certo ou não. Detectado o erro assumo a culpa, peço desculpas, recompenso-os de alguma forma e continuo a sessão.

Qual o local e ambiente ideal para realizar uma sessão de RPG?

Quanto menos interrupções e ruídos melhor. Os eventos tem esse pequeno problema, mas é contornável. Mas recomendo ir conhecer como funciona o jogo em eventos. Desligue os aparelhos eletrônicos móveis com acesso a internet. Se a galera não curtir, pede para usarem os gadgets em caso de urgência ou em pausa da sessão.

Como você organiza as sessões de RPG?

Primeiro é escutar as intenções dos meus jogadores. Eu tenho que entender o que eles mais gostam e definir isso como o sabor da aventura. Eles têm que sentir este gosto, por que é o que eles querem. Segundo é separar as regras do jogo, conjunto de dados, sempre uma cópia da ficha para cada jogador com materiais adequados para escrever no papel. O importante é evitar o empréstimo de algum acessório. Interrupções não são legais. Feito isso, sempre chegar com 30 minutos com antecedência em relação ao horário marcado para relaxar, separar os materiais e ler um resumo da sessão anterior.

Qual é o seu processo de pesquisa e planejamento para desenvolver uma história e aplicá-la no jogo?

É um processo simples: Escuto uma música legal via youtube e imagens no deviantart. Geralmente são cenas que mescladas à música eu gero uma sequência delas e já planejo como será a sessão de jogo.

Quais são os temas recorrentes em seus jogos e como faz para usá-los?

Ação e drama. Sempre envolver os personagens dos jogadores. Ele está ali para fazer algum sentido na história, o passado, alguma promessa não realizada, alguma missão. Mas tudo tem que ligar ao(s) personagem(ns). Anote tudo isso no seu caderno de anotações e risque uma anotação quando usa isso na história.

Como manter os jogadores focados no jogo?

A ideia é sempre detectar os jogadores mais desatentos, principalmente aqueles que não te observam durante a narrativa. Tente inserir o personagem do jogador desatento com maior participação e responsabilidade na missão. É uma fórmula simples, que sempre funciona.

Quais são as principais qualidades de um jogador e como explorá-las a favor do jogo?

Um jogador tem a capacidade de imaginação quase infinita. Utilize essa habilidade para conduzir a sua história. Deixe ele te surpreender. Além disto, muitos já dominam as regras de jogo, ao invés de perder tempo consultando o livro de regras, peça o jogador mais astuto se pode te ajudar. Seria um segundo mestre.

Quais ferramentas ou acessórios você usa, e como eles são capazes de auxiliar mestres?

Atualmente são 3 pilares sagrados e que nunca os deixarei de levá-los: 1) Imagens de cenas. Pesquiso no Google ou no site Deviantart e faço impressões no tamanho de um papel e isso melhora de forma absurda a experiência de jogo. 2) Post-it. Pequenos blocos de anotações e uso isso como segredos para serem enviados aos jogadores. O mais chato era ter que dizer um segredo e todos ouvirem, rola muito metagame e pouco interesse. Guarde bem isso: O segredo valoriza o jogo e gera muito interesse. 3) Tablet: Um tablet te auxilia a nível exponencial para consultar as regras do jogo. Não consigo narrar uma partida sem um Tablet ou Kindle.

Quais são suas principais referências, além do RPG?

Mangás, HQ americanas, seriados, filmes, trilha sonora de filmes, sites com imagens e recentemente a literatura.

Na sua visão de Mestre, descreva uma sessão de RPG perfeita?

A sessão de RPG perfeita é apenas em 1 momento em que quando menos se espera acontece algo espetacular na cena. Geralmente mecânicas com fator de sorte (dados) tendem a proporcionar momentos dramáticos e emocionantes.

Um conselho essencial para um mestre inexperiente?

Demonstre confiança e esteja aberto para conversar sobre o jogo. Apenas comente sobre o jogo após a sessão. Leve comida, os jogadores curtem.😛

Um comentário sobre “De Mestre para Mestre #7 – Alan Silva

  1. Pingback: Alan Silva produzirá Jogos de Contar Histórias na Plataforma Patreon | Adrenalina RPG

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