De Mestre para Mestre #11 – Victor “Xamã”

Décima primeira edição da coluna de Mestre para Mestre, uma série de entrevistas com narradores experientes, buscando compartilhar ideias e contribuir para a formação de novos mestres, além de auxiliar os mais inexperientes e novatos.

Se você é um mestre inexperiente ou iniciante, aproveite está oportunidade para sanar suas dúvidas, através dos comentários. Você, mestre experiente, que deseja contribuir com a coluna, comente também sobre suas experiências e contribua no desenvolvimento de novos narradores. Além disso, aceitamos sugestões para aperfeiçoar e aprimorar a coluna.

De Mestre para Mestre #11

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Por favor, faça uma breve apresentação:

Victor “Xamã”. Sou Diretor Acadêmico de uma Franqueadora em São Paulo – SP

Tenho um RPG e ambientação em desenvolvimento para 2015. Trabalho nesse projeto com uma equipe de 4 Ilustradores profissionais e tenho experiência com narração, mas não com muitos títulos diferentes.

Quanto tempo você mestra e como começou?

Narrador desde 1998. Comecei como a maioria da velha guarda: Amigos que jogavam Magic The Gathering, Shadowrun, Vampire: The Masquerade e AD&D

Qual é o seu estilo de jogo, como Mestre?

Criador de Conflito Imparcial. Com a prática comecei a mapear os melhores jogos que tive e percebi que os jogadores se divertem mais quando as suas ações como Mestre criam “coincidentemente” conflitos que os jogadores sofrem e se determinam a sobrepujar, sem forçar ou denotar nenhuma dica ou caminho. Esse é o estilo que tento manter.

Quais são as melhores habilidades de um Mestre?

Somando Imparcialidade + Improviso + Planejamento você tem um mestre com grandes chances de criar jogos memoráveis.

Quais são os seus maiores obstáculos narrando e o que faz para corrigir isso?

Envolver todos os personagens igualmente. É a tarefa mais difícil, criar envolvimento sem forçar. Se você diz “seu personagem quer ser o melhor Necromante do mundo” isso não gera comportamento e nem leva o jogador a se motivar. Mas se você cria uma NPC esposa, descreve e utiliza ela por duas ou três sessões com afinco, e depois a lança em um estado de morte vegetativo, você passa a ter um jogador motivado sem precisar dizer o que ele tem que fazer.

Porém, não é sempre que isso funciona. Quando dá errado, você tem que buscar formas alternativas de envolver o personagem na trama. A melhor forma de “consertar” isso é fazê-lo reagir, lançando diversas situações que o coloquem em desconforto, como Cartas da enfermeira que cuida da esposa dizendo que ela não vai durar um mês se não encontrar “X” planta para manter seu pulmão respirando, ou situações instantâneas como um ladrão que rouba as anotações importantes de seu estudo e assim vai.

Qual o local e ambiente ideal para realizar uma sessão de RPG?

Não gosto de lugares públicos, com pessoas passando. Gosto de lugares fechados, onde as pessoas saibam que estamos jogando e interpretando uma espécie de teatro. Assim ninguém vai me olhar com cara estranha quando começarmos a falar com vozes de personagens e monstros.

Como você organiza as suas sessões de RPG?

1º- Defino Motivações dos personagens. O que os põe para agir sem eu ter que forçar.

2º- Crio uma trama que interligue essas motivações principais. Assim consigo um grupo mais unido e menos jogo cortado (para render tempo).

3º- Defino quais serão as crises/conflitos que lançarei na narrativa. Trabalho sempre em três linhas: Linha de Campanha (objetivo principal que leva o personagem até o fim da campanha), Linha Pessoal (algo que ele busque e que seja conquistado/perdido no meio do jogo em um clímax), Linha Instantânea (cartas na manga para todos os jogadores. Situações que fico guardando para quando o jogo der uma esfriada. Podem ser pegos em um conflito que estava alheio a eles, podem se ver sem dinheiro e próximos de uma “fonte confiável” que se torna um problema, etc.)

Muitas séries e filmes trabalham assim, em atos e quebras de previsão e fim de episódio com surpresas.

Qual o seu processo de pesquisa e planejamento para desenvolver uma história e aplicá-la em jogo?

Tenho duas fontes inesgotáveis: Livros e Blogs de aventuras narradas por outros mestres. Junte essas duas e nunca ficará sem uma boa história/ideia.

Quais são os temas recorrentes em seus jogos e como faz para usá-los?

Trama da linha de campanha sempre é Mistério, pois aguça a curiosidade e tensão. Depois sempre tem ação em alguns conflitos o que leva à chances de morte, aumentando o nível de tensão. Depois do clímax, costuma ter um esclarecimento ou recompensa que os leva a um próximo gancho e assim vai. Comédia, eu deixo para os jogadores.

Como manter os jogadores focados no jogo?

Sempre eles têm que reagir. Se eles não estão sendo diretamente provocados em sua moral/crença/background/integridade física eles não sairão do lugar. Alguns jogadores são excepcionais e fazem o jogo por si mesmos, mas não conte com isso.

Quais são as principais qualidades de um jogador e como explorá-las a favor do jogo?

Aquele que cria seu próprio caminho não precisa de muitas linhas de motivação. Então, coloque conjugado na mesma história dele um jogador mais quieto, que quase não fala, pois ele vai ser obrigado a reagir com o jogador dinâmico, assim você cria mais tensão.

Quais ferramentas ou acessórios você usa, e como eles são capazes de auxiliar mestres?

NÃO uso miniaturas, pois a mecânica do meu jogo não possui muitas regras de combate especiais e miniaturas, na minha opinião, tiram o foco da imaginação de cenário.

Uso moedas de verdade para dinheiro. Comprei bem barato um lote de umas moedas de outro país (moedas antigas) por um preço bem baixo, assim quando recompenso com $, eu entrego moedas em saquinhos de couro. Dá uma outra cara de realismo ao jogo.

Música. Indispensável para fundo de trilha sonora.

Uso torre de dados. Uma caixinha pequena de MDF para evitar que os dados saiam destruindo tudo ou caiam da mesa (como acontece com os “chacoalhadores de dados”)

Quais são suas principais referências, além do RPG?

As duas que mais gosto: Magic the Gathering e DeviantArt, onde você acha de tudo para te inspirar.

Na sua visão de Mestre, descreva uma sessão de RPG perfeita?

Jogadores ficam tensos, sentem frio na barriga nos combates e desvendam, por si SOS, coisas que eles se sintam desafiados.

Ao final do jogo, você ouvir coisas do tipo “Meretriz que deu a luz! E agora?”, “Nooooossa, que loucura isso que aconteceu!”, “Esse jogo me deu até frio na barriga”

Um conselho essencial para um mestre inexperiente?

Procure um blog como este adrenalina.rpg, onde você tem outros mestres contando experiências. É a melhor forma. Depois você precisará Mestrar/Narrar sem medo. Com um pouco de prática tudo fica divertido.

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