De Mestre para Mestre #13 – Giovanni Pedroni

Décima terceira edição da coluna de Mestre para Mestre, uma série de entrevistas com narradores experientes, buscando compartilhar ideias e contribuir para a formação de novos mestres, além de auxiliar os mais inexperientes e novatos.

Se você é um mestre inexperiente ou iniciante, aproveite está oportunidade para sanar suas dúvidas, através dos comentários. Você, mestre experiente, que deseja contribuir com a coluna, comente também sobre suas experiências e contribua no desenvolvimento de novos narradores. Além disso, aceitamos sugestões para aperfeiçoar e aprimorar a coluna.

De Mestre para Mestre #13

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Por favor, faça uma breve apresentação:

Meu nome é Giovanni Pedroni, tenho 24 anos, nascido e criado em São Paulo, capital. Trabalho como ilustrador freelancer para livros. Sendo filho, neto e sobrinho de professores, eu fui criado em meio a livros, histórias, contos fantásticos, histórias de terror, histórias de família e diversos outros tipos.

Quanto tempo você mestra e como começou?

Eu mestro há 13 anos. Comecei a jogar RPG com 9 anos, mas só fui mestrar depois de um hiato de 2 anos. Um amigo meu tinha comprado os livros do D&D 3.0 e começou um jogo com a gente, pouco tempo depois, estava pegando os livros emprestado e fazendo minha primeira campanha com um grupo nada bom, haha.

Qual é o seu estilo de jogo, como Mestre?

Meu estilo de jogo… Eu acredito que um jogo bem aberto. Sempre tenho o livro em mãos, mas as regras são meros guias para o jogo e não precisam ser seguidos a risca. Meus jogadores podem inventar o que quiserem na mesa, mas sempre discutimos entre os jogadores para ver se todos concordam. Nunca considerei o mestre como uma figura de autoridade e sim como um jogador que está contando a história e tem controle apenas sobre o mundo e os NPCs… o resto, é trabalho dos jogadores e sempre tento deixar isso bem claro.

Quais são as melhores habilidades de um Mestre?

Um bom diálogo principalmente. Você precisa saber passar em boas palavras o que está pensando, tem que saber explicar a cena, detalhar, tudo para deixar os jogadores imaginarem o mais próximo possível uns dos outros. A habilidade de ser um bom árbitro também, sem deixar um jogo desequilibrado, conversando com os jogadores sobre tudo que eles querem fazer, sempre deixando as mesmas capacidades para todos na hora de interpretar e agir. O resto é a imaginação… a capacidade de inventar boas histórias que façam sentido, criar inimigos memoráveis e situações das mais diversas para divertir.

Quais são os seus maiores obstáculos narrando e o que faz para corrigir isso?

Fazer aventuras muito pé no chão, com trama bem mais política. Sempre gostei de tramas políticas, mas acredito que nunca consegui fazer alguma convincente. No momento, estou tentando isso, lendo livros e artigos sobre conspirações das mais diversas e lendo as histórias reais da política do nosso mundo. Acho que a melhor maneira de corrigir problemas que se tem na mesa é discutindo com os jogadores e com outros mestres de confiança.

Qual o local e ambiente ideal para realizar uma sessão de RPG?

Um ambiente que não vai atrapalhar os outros e os outros não atrapalharão você. Um lugar onde todos possam ficar confortáveis e onde todos possam apoiar suas fichas sem arriscar aquela bebida caindo em cima delas.

Como você organiza as suas sessões de RPG?

Eu geralmente fico a semana inteira matutando ideias gigantescas na minha cabeça. Imagino cenas, diálogos, situações, diversas coisas… No final, escrevo mais ou menos o que pensei na semana e o que pretendo que aconteça na sessão. Mas faço apenas as linhas guia, para minha improvisação não sair muito da linha que quero.

Qual o seu processo de pesquisa e planejamento para desenvolver uma história e aplicá-la em jogo?

Sempre que tenho a idéia de começar um jogo, é porque já li boa parte do sistema ou já conheço um pouco de como o mundo do jogo funciona. Sempre antes de começar, pegamos um dia apenas para a criação de personagem em conjunto, assim todos podem opinar e discutir os backgrounds e coisas do tipo. Depois disso, minha pesquisa é sempre dentro do próprio livro do jogo. O que eu não achar lá pode ser inventado… E o resto da história é pesquisando e planejando; olhando as fichas e backgrounds dos personagens, para colocar ele bem nos holofotes da história.

Quais são os temas recorrentes em seus jogos e como faz para usá-los?

Depende muito do RPG… Nos de fantasia medieval eu gosto de usar o tema de mistério e ação com civilizações perdidas e tals… Nos futuristas gosto de cutucar o assunto de direitos das máquinas e inteligências artificais, identidade, realidade e liberdade. Mas sempre gosto de cutucar temas diversos que fazem com que os vilões não pareçam vilões… apenas pessoas iguais aos jogadores, mas do outro lado das idéias.

Como manter os jogadores focados no jogo?

Nunca tive muitos problemas com jogadores desfocados, sinceramente. Vez ou outra rola o assunto paralelo onde participo (e às vezes até puxo o mesmo)… Então damos risadas, desconcentramos por um tempo, mas logo falo: “Bom! Voltando ao jogo…” e todos voltam a prestar atenção. Acho que uma boa história fixa a atenção dos jogadores. Uma boa história onde a participação deles faça toda a diferença… senão, por que ele gostaria de estar lá, não?

Quais são as principais qualidades de um jogador e como explorá-las a favor do jogo?

A maior qualidade de um jogador é a criatividade. Seja ela para criar personagens cativantes, diferentes uns dos outros, backgrounds interessantes ou sair de situações adversas!

Uma outra qualidade muito prezada é a interpretação, obviamente. Conheço pessoas que podem até fazer um bom personagem… Mas na hora de falar com o NPC não consegue pronunciar um “A”. Essas qualidades são facilmente exploradas dando situações aos jogadores, colocando NPCs interessantes para conversar e situações desafiadoras diversas para se sair.

Quais ferramentas ou acessórios você usa, e como eles são capazes de auxiliar mestres?

Durante muito tempo o que sempre usei foi: os livros básicos do sistema e um caderno. Simples assim. Conforme os livros foram ficando mais caros e menos acessíveis, passei a usar o computador também… Não só pelos livros, mas também pelas músicas!

A trilha sonora é uma das grandes armas do mestre! Ela pode comover, inflamar e agitar os jogadores nas situações certas! Sempre prepare uma boa trilha sonora para seu jogo!

Quais são suas principais referências, além do RPG?

Filmes, livros e mitologia. Sempre me contaram histórias de duendes, gnomos, fadas, dragões, gigantes e etc… Os livros sempre foram uma grande influência na minha vida e eu os uso como referência para tudo. Os filmes também são uma grande fonte de idéias… Nunca para serem COPIADAS, apenas estudadas.

Na sua visão de Mestre, descreva uma sessão de RPG perfeita?

Uma sessão perfeita? Aquela que vai ser falada, no mínimo, durante toda a semana entre o grupo. Aquela que vai deixar os jogadores pedindo mais. Aquela que vai deixar os jogadores extremamente empolgados do começo ao fim e aquela que, no final, todos dizem: “Essa foi do C••••••!”

Um conselho essencial para um mestre inexperiente?

Um conselho simples: Experimente.

Não tenha medo de colocar uma ideia que você ache que pode ficar bacana no jogo. Não tenha medo de mestrar aquela saga futurista que você sempre achou difícil. Não tenha medo de se aventurar em outros sistemas. Tente tudo que tem vontade e sempre, sempre converse com seus jogadores! Eles são tão donos da mesa quanto você.

E leia muito. Sobre os sistemas, sobre os mundos, sobre os personagens… Mas nunca os leve muito a sério… O jogo é da sua mesa e você pode mudar o que quiser!

Mas acho que o melhor conselho de todos é: DIVIRTA-SE!

2 comentários sobre “De Mestre para Mestre #13 – Giovanni Pedroni

  1. Caramba, muito legal essa coluna!

    Acho essencial que haja essa troca de figurinhas entre os mestres/narradores, que isso só vai fazer crescer o RPG no Brasil.
    Parabéns ao site pela coluna e iniciativa!

    Bom! Joguei muitos anos com o Giovanni…posso dizer que depois de 10 anos jogando RPG em diversas situações e grupos, ele foi o melhor mestre de mesa que já tive (e um dos melhores jogadores tbm! Haha)…esses conselhos e outros, podem fazer sim sua mesa crescer em qualidade e DIVERSÃO…

    Acredito que essa eh a base fundamental do RPG, a diversão, afinal eh um jogo e deve, principalmente, divertir os participantes!

  2. Já fiz algumas experiencias de narração livre muito bem sucedidas, um D20 ou outro “D” qualquer, um bom grupo de jogadores e boas ideias. Simplesmente divertido, é nisso que eu resumo. Fica muito bom quando você avalia bem seu grupo, acho que o Mestre deve sempre partir dessa analise, conhecer bem os jogadores, guiar bem a narrativa, prender a atenção, moldar as ações para que sejam sempre atrativas.

    Regras são feitas para serem quebradas, dentro de um RPG essa deve ser a regra. Afinal de contas o mestre deve ter liberdade de fazer a própria narrativa.

    Ótima trabalho!

    Abraço.

    http://cronicadoelfobranco.wordpress.com/

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